Review Nacional: “Músicas para Drift” por Yung Buda

Iaaee seus pede review e não comenta, suave? Back by popular demand, Shaq por aqui pra mandar um review de um EP bem foda que quase passou despercebida pelo meu aguçado crivo musical underground e como é meu dever cívico e moral de não deixar o mesmo acontecer com vocês, vou falar da bela obra que é Músicas para Drift segundo trampo do Yung Buda, da Soundfood Gang, a mesma banca do nILL. Continuar lendo

Review Nacional: “Kinkaku-ji” Por MC Igu

“Doko, Doko, Nego da onde vem seu trampo?”

É impossível você curti o Trap underground nacional hoje em dia e nunca ter ouvido falar do Mc Igu. Esse mc vem fazendo barulho a quase meio ano mais precisamente, depois de ter dropado a sua mixtape “Okane” e seu maior hit “Doko’. Vindo de SP, Igu vem construindo um terreno nunca antes visto por nossas terras quando o assunto é trap – claro que há outros nomes na cena também, não sejamos omissos. Sendo um dos grandes nomes da Recayd MOB, o Trap Sensei largou recentemente o “Kinkaku-ji”, sua nova mixtape, de fucking 23 tracks. Vamos para uma análise nacional galerinha, e desculpem a ausência ❤

Pois bem né, como eu conheci o Igu? Ora, quem tem parceiro de crew influente,  acaba automaticamente conhecendo música boa. Jé tinha compartilhado “Doko” no seu perfil do face e eu que tava bisbilhotando a timeline sem esperar muita coisa boa,  me deparei com essa track. O que achei? Bolado!! Tava meio sem esperança de encontrar traps que realmente fossem traps no brasa – afinal, convenhamos, “Trap de mensagem”,  é de cair o cu no chão -, porém, quando ouvi essa faixa e mais tarde a tape Okane, eu tinha agradecido ao deus Goku pela existência do Sensei. Claro que, achei o Okane não algo muito espetacular, mas vi uma matéria muito bruta que iria ser lapidada. Não restou outra, o maior japa do game que você respeita largou o “Kinkaju-Ji” e pra mim, essa pode ser um marco de exemplo para todo rapper que quiser entrar nesse ramo ao invés do boombap.

Essa mixtape é mais sólida, fechada, bem mais organizada e os conceitos culturais aqui inseridos são bem mais compreensíveis. As participações são extremamente boas, DaLua e Klyn (principalmente o Klyn, pelo amor, quero cd, caralho!) (Nota do editor: Eu também, Klyn!) tão excelentes.  Temos um boombap no começo do projeto, “Diss”, no entanto, é único que iremos ver durante as 23 tracks. O trap toma conta do começo ao fim. A produção é uma das melhores coisas disso daqui e arrisco a dizer que é o melhor trabalho dentre todos os trabalhos do rapper. A uma evolução nítida na caneta do Igu, além do fato de que ficou atento também a não soar enjoativo e repetitivo no flow. No mais, a muitas faixas aqui que são praticamente iguais, a temática não muda em quase 80% da tape, e tudo gira em torno de mais grana, poder e minas. Ademais, não vejam isso como algo ruim, se você curti esse tipo de vertente, você vai achar uma coisa muito boa, como eu achei, mas se você é guardinha, nem aperte o play.

A duração também é um dos grandes empecilhos. Sério, é preciso maneirar na longevidade que se propõe nesse tipo de trampo e apesar da sonoridade não soar nem um pouco enjoativo, acredito que a duração disso  daqui é um ponto a menos. Não sei quem produziu às tracks, mas esses beatmakers são bons pra cacete, meu mano. Principalmente quem produziu “Bem Calmo”, “Dicção”, “Dane$e Remix“, “Rico” e por ai vai.

Kinkaku-ki é simplesmente o melhor disco trap do ano até agora. Pode ser inserido facilmente no seleto grupo de pioneiros  que podem ser exemplo para outros. Coeso e que não erra em nada no que se propõe, Mc Igu é trap sensei que todos nós iremos respeitar ainda mais a partir de agora.

“Vários mano viu, novo ninja que dá aulas”

Nota do Editor: Igu, se tiver lendo isso, upa no Spotify. Não aguento mais as propagandas do Youtube.

 

 

Review Nacional : “Plumas de Cera” por Kodak Ninja & Urso em Mandarim

IAE, como vocês estão? Tudo suave? Eu também to suave, na verdade, estou ótimo.  E para aproveitar esse bom momento, nada melhor que review novo vindo da minha pessoa, né?  Vitor aqui em uma review nacional apresentando para vocês o  novo EP do Fraj (KODAK NINJA) e do Beli Remour (URSO EM MANDARIM), com esse último produzindo todas as tracks e com o Kodak rimando e cuspindo fogo. Pois bem, vamos pro jogo. Continuar lendo

Review Nacional: “A Trilha para o Desencanto da Ilusão Vol. 1: Amem” por Síntese

sintese

Fala aí, seus “Biel no dab”! Há quanto tempo, tava com saudade de escrever aqui neste famigerado site com nome de merda. E voltei pra falar de um álbum que eu tava esperando pra caralho, quem acompanha o site sabe que eu sou fã de Síntese e que tava ansioso pra esse projeto. Então sem mais delongas vamo aí pra review desse álbum que tem um nome grande pra porra.

De cara, as 4 primeiras tracks me pareceram bem distantes entre si, tanto sonoramente quanto nas ideias, por mais que eu ache a “Meu Caminho” uma forma muito boa de começar álbum, temos a “Ritual” que a mim soa muito rasa, não acrescenta muito ao álbum e traz um som totalmente avulso se comparado com as tracks perto dela. A “Mistério” que assim como a anterior é um tanto quanto rasa, e não me entendam mal, quando digo “rasa” quero dizer que ela não fala muito, não acrescenta tanto quanto as outras tracks. E ainda a “Lá Maior” que por mais que trouxesse letras mais focadas, concentradas e um refrão muito bom, caiu no que disse no começo da desconexão sonora, mas é um track bem legal.

A partir da “Babilônia Pt.2” o álbum parece se encontrar, e emplaca uma sequência de tracks muito foda. Da faixa citada acima até a “Gotas de Veneno”, passando pelo single “Desconstrução” temos críticas sociais inteligentes e bem construídas, mostrando a natureza da “Babilônia”, principalmente na oitava faixa, onde Neto usa uma analogia muito foda, usando “gotas de veneno” como as nossas próprias ações dentro da sociedade, e o acúmulo dessas vão afogando a nós mesmos e no final ele pede para que sejamos água ao invés de propagar o veneno; toda essa ideia além da produção bem gritty, bem dark e áspera, faz com que essa track seja uma das minhas favoritas do LP.

Seguindo, temos “Alvorada” e “Novo Dia”, duas tracks que contrastam com o clima das anteriores mas de uma forma bem natural. Elas dão um ar esperançoso, de que tudo apontado nas três tracks anteriores pode ser revertido com, basicamente, amor ao próximo. Destaque aqui pra belíssima produção de “Novo Dia”, ela me lembra muito a “Agora” que foi lançada no Boomshot, porém com um pouco mais de sutileza, um pouco mais smooth, o que faz dela uma track bem gostosa de se ouvir.

“Religare” é um track muito boa, versos densos e uma produção melancólica e escura, mas ela tá avulsa na sequência do álbum, o que é uma pena. E pra finalizar, Neto guardou as duas melhores tracks: “Vive Aqui” e “Gira Mundo”. A primeira me fez lembrar muito “Se Escute” nem tanto pelo o que é exposto na track, mas a emoção na delivery, a voz carregada (Coisa que senti muita falta nesse álbum) e o beat sensacional, minimalista que conta com um sax muito bem interpolado ao fim da track.  E a última, que é sem dúvidas, minha favorita do trabalho, a qual considero ser uma track bem reflexiva e introspectiva por mais que ela não transpareça tanto isso, e ainda tem uma homenagem ao Leo que achei muito pica, sem falar do beat sensacional, a flauta no final me fez lembrar muito a “Virou Canção” do Ogi.

De uma forma geral, a organização da tracklist me soa um pouco confusa, ver tracks como “Alvorada” e “Novo Dia” , que tem um clima mais leve, com ares de esperança e melodias bem vivídas,  serem sucedidas de “Religare”, que puxa uma vibe e uma conversa mais pesada, me é um tanto quanto estranho. Ainda mais quando antes dessa sequência, se tem “Gotas de Veneno” que tem o mesmo peso da Religare. Isso também marca presença no começo da audição, como citei bem no ínicio da review, mais pela identidade sonora das tracks serem bem distintas entre si.

A produção, por mais que não chegue nem perto de ser ruim, me desapontou um pouco. Quando vi que o Ganjaman produziria esse álbum junto com o Neto, eu hypei pra caralho e talvez tenha criado muita expectativa em cima disso. Acontece que a produção do “A Trilha para o Desencanto da Ilusão Vol. 1: Amém” não me encantou como aconteceu em outros projetos do Síntese; não teve beat lo-fi com aquelas melodias sutis do Netão da massa (Aliás, a track mais parecida com isso é a “Gira Mundo” e é belíssima), também não teve a organicidade e as melodias marcantes que ocorreram no “Boomshot Apresenta”, por exemplo. Entretanto, temos os destaques por parte da produção que ao meu ver são os intrumentais da “Gira Mundo”, “Vive Aqui”, “Gotas de Veneno” e “Novo Dia”.

É um álbum de transição, então cê vai perceber certas características de vários trabalhos do Síntese, desde o Sem Cortesia até coisas novas como as rimas bilíngues e a delivery com um quê de reggae, à la Black Alien, o que não me agradou muito mas não vai entrar na avaliação pois é um critério bem pessoal. Outras coisas se mantém uma constante em toda a discografia do Síntese e que aqui não foi diferente, a lírica afiada, a temática entregue de uma forma que cative atenção, seja pela delivery ou técnicas de escrita. Ah, e last but not least, o Denner, que fez a capa do álbum fez um post bem maneiro explicando a inspiração, o processo de criação e várias nuances da arte, então deixo o link AQUI.  Então é isso, seus bunda! Logo mais tamo aí com outra review. ❤

Amem.