Topper 10 de 2016 (LAHuss)

Fala aí seus operação Lava Zap! Menino Hussein de volta aos textos nesse sítio virtual que trata de assuntos ligados ao rap. Ninguém sentiu minha falta mermo mas to voltando, e o motivo da minha ausência nos últimos tempos é que o Kendrick me contratou pra ser uma das vozinhas que ele faz nas músicas, ai fiquei trabalhando pra cacete. A firma solicitou os 10 projetos de 2016 que considerei mais relevantes na minha vida ordinária, e aqui tô eu. Não vou fazer menção honrosa mas queria fazer uns adendos: como a lista mescla técnica e a quantidade de vezes que eu ouvi o trabalho, fica faltando coisas como o disco do Brown (que eu achei pica mas devo ter ouvido umas 2x só) e artistas como o D.R.A.M, o Igu e o Raffa, os quais soltaram umas paradas que eu curti esse ano mas que não tavam num projeto só. Tá bom, bora lá.

10 – A Terça Parte da Noite

O Makalister escreve pra carai e tem uma maneira interessantíssima de usar referências do cinema e da cultura popular, só que tem hora que eu sinto tudo aquilo que ele quer passar e tem hora que eu simplesmente viajo na ideia e o som não me apetece, questão de gosto mesmo. Dos dois projetos que ele soltou esse ano, me identifiquei mais com esse, embora não em sua totalidade: a 1ª metade do EP não me conquistou muito, consigo notar todo o talento dele liricamente mas não me cativou. Mas aí quando chega na “A Vida e Suas Voltas Redondas” parece que eu fui abraçado pela track, sonzaço da porra (o nível técnico do EP se mantém constante nas 4 faixas) e pessoalmente a minha preferida do projeto todo e dele. A “Amores Perros” eu também curto bem, e acho um belo encerramento. Por ter ouvido esse projeto mais pro final do ano e manter só a 2ª metade na playlist (mas não fica triste Maka tá no repeat direto) a relevância não foi tanta pra mim, mas no aspecto técnico é uma das melhores coisas que saiu em 2016.

 

9 – Blank Face LP

Conceitualmente, eu achei esse disco do Q bem pica, bem pica mesmo. As referências ao GFK e ao Wu-Tang como um todo desde a estética até a lírica (tem muita linha que quebra a expectativa do que ce tá achando que ele ia rimar, eu vejo muito os cara do Clan fazendo isso) me encantaram. Tem uma meia dúzia de tracks ali que eu acho lindonas, tipo a “Groovy Tony/Eddie Kane” (ACHEI QUE O JADABEIJO IA ESTRAGAR MAS ELE CHEGOU BENZÃO), a “Kno Ya Wrong”, a “Ride Out” e a “Neva CHange”, mas acho que tem um cado de som descartável ali também. Mesmo assim achei um cd loco, tão balanceado quanto o Oxymoron (com a mesma quantidade de erros também), e sigo no hype do Q um dia soltar um projetão 5 shits em questão de conceito.

 

8 – Vol. 7

Embora seja uma tape que tenha gente pra carai rimando, sem um conceito definido, com alguns versos que são sobras e mais um monte de coisa que nego pode argumentar, eu acho que a Vol. 7 atingiu em cheio o objetivo principal: colocar um holofote em cima da Pirâmide Perdida inteira. Todo mundo do selo teve espaço e pelo menos um highlightzin ali, e as músicas bateram benzão na rua (maioria das festas de rap que eu fui esse ano tocava a “Não Siga Meus Passos” e a “Luccas Carlos”, essa última mais de uma vez tinha dia). Eu interpretei esse projeto como um lazer do bonde dos caras, uma forma desprendida de colocar em forma de música o que era pontual ali no momento, e funcionou comercialmente, todo mundo ali tá entrando em 2017 com o nome em evidência no cenário.

 

7 – untitled unmastered

O dilema da The Lost Tapes se repete: um projeto inteiramente de sobras conseguiu ser melhor que muita coisa que rolou na cena. E esse projeto agradou não só os fanboys do Keridinho: o ouvinte médio de rap também amou um cado de faixa desse EP, como a “untitled 02” e a “untitled 08”. Tiveram coisas ali que o Kendrick gravou especialmente pra parada, e eu não acho que esse projeto seja desconexo em relação ao futuro da discografia dele: eu to crendo que é a forma que ele encontrou pra transitar pra uma sonoridade mais trap, que ele abraçou não só aqui como também nos feats que assinou. De qualquer forma, achei que as músicas sem nome foram um lembrete do tipo “até soltando esses verso que sobrou e indo contra o padrão de mercado e divulgação eu arranjo esse buzz do carai e mando na cena”. Acho que o resto do game assimilou a mensagem.

 

6 – Do What Thou Wilt

O Ab-Soul é um dos maiores liricistas que surgiu nessa década que tamo. Ele consegue fazer umas parada que eu acho que só o Jigga, o Nas e o Weezy fariam, e mesmo assim soa bastante original, dá pra saber quando o verso é dele só lendo a letra. Se pa esse disco novo dele é o ápice da questão lírica e conceitual do cara: a forma como ele aborda os temas centrais do álbum (o ocultismo, a moralidade que ora tende pro bem ora pro mal, e a relação dele com as mulheres) é incrível, e os versos também. Só que o DWTW tem dois buracos que não são pequenos: um é que têm umas 3 tracks tão descartáveis ali que realmente conseguem tirar o encanto do resto do disco (que é lindão). O outro é a questão sonora: depois que todo mundo viu que o menino de Carson é capaz de aliar a caneta venenosa dele com uma musicalidade ímpar como ele fez no Control System, qualquer coisa abaixo do mostrado em 2012 vai deixar os fãs um pouco decepcionados. Mesmo assim, ainda o considero o dono da lírica mais afiada de 2016.

 

5 – Konnichiwa

Eu não quero ser o indiezão do bonde, mas eu ouço grime desde que eu jogo Fifa Street (trilhas sonoras do FIFA sempre passando uma visão pica pras crianças) e to felizão com o boom que a cena deles tá vivendo (meu sonho é ver os funkeiro cria soltando disco com conceito artístico e os carai tipo os cara lá). Enfim, o Skepta e o irmão dele, o JME, são dois dos maiores expoentes da parada, e conseguem aliar uma lírica pica à sonoridade original das ruas britânicas, além de todo o lifestyle e imagem que eles trabalham em cima. O hype em cima do disco era grande, os feats foram de peso (rolou até um Pharrell), e o projeto correspondeu nos fones e também na repercussão: ganhar do David Bowie e do Radiohead no Mercury Prize não é merda pouca. Por fim, escutem “Crime Riddim” porque o Skepta incorpora o DOOM em “Beef Rapp” logo no refrão. Pas.

 

4 – JEFFERY

Ame ou odeie o Thugga, ele é um dos maiores nomes do gênero hoje em dia. E ele tá muito bem sucedido na missão de deixar de ser um trapper genérico e adquirir uma noção artística, sendo que essa tape prova muito isso. O conceito por trás de fazer tracks com nomes de pessoas parece simples, mas ninguém pensou em fazer um projeto inteiro assim da forma que ele pensou, além de não ter executado da forma que ele executou. A personificação do Hendrix na “Future Swag” é genial, além de outras faixas que se destacam, como a “Harambe” e a “RiRi”. Anotem o nome desse filha da puta e o vejam com outros olhos, to apostando muito nele e nos próximos trabalhos de sua carreira.

 

3 – Castelos & Ruínas

Esse disco caiu como uma luva no momento que o rap nacional vive. Com todo o aparato virtual, quem faz um trabalho de destaque acaba recebendo atenção pra carai: ídolos são criados em meses, cyphers se transformam em vitrines e até o mercado de reação/análise tá movimentadão (DICA DO 20: não se envolvam nisso se vocês já tão envolvidos na indústria e soltando sonzinho aqui e ali, fica feião). O ponto no qual eu quero chegar é que o Castelos & Ruínas mostrou ao público de rap, do guardinha apaixonado por Facção à novinha que tem fã clube do Class A que fazer um álbum não é só jogar um monte de música e encapar. Conceito, conexão e identidade sonora são importantes. O BK pode ter forçado uma linhazinha aqui e ali, mas num apanhado geral achei ele bastante consciente ao balancear os momentos de instrospecção e superficialidade. E que CDzão da porra.

 

2 – Prima Donna

Namoral eu fiquei muito puto porque pouquíssima gente deu a devida atenção merecida por esse EP. O Vince é um rapper diferenciado: a forma como ele arruma esquemas complexos pra rimar de maneira tão simples e clara é uma parada que eu admiro bastante, é uma lírica sofisticada e acessível ao mesmo tempo. Junta isso com uma mente perturbada pela vivência no crime, e uma coleção de beat foda (só o da “Smile” que é corny), e dá num dos melhores projetos do ano: ideal no tamanho, no conceito e na execução. O que me resta é pedir a você que escute esse carai de frente pra trás e de trás pra frente (é sério, a historinha faz sentido de trás pra frente). E fiquem de olho nesse muleque.

 

1 – Birds In The Trap Sing McKnight

Um disco com esse nome não tinha como dar errado, e obviamente não deu. As produções de altíssimo nível e a noção monstruosa de melodia que o Trevas tem posicionaram o Birds no topo das paradas que eu ouvi ano passado. Tem umas melodia ali que eu só tinha visto no funk melody de raiz, sem falar na melhora lírica do menino Jacques, vários esqueminha, várias punchline implícita. As transições e progressões nos beats, quando rolam, são muito pontuais, orgânicas e por quê não orgásmicas. O cara consegue te por na mente e nas paranoias dele presentes na “way back”, na “coordinate” e na “sweet sweet” por exemplo. Há uma combinação de letras que te deixam na bad e beats que te dão vontade de devorar ecstasy e haxixe que é uma parada pica demais (inclusive tentem isso em casa). O disco não é perfeito (não teve nada literalmente perfeito em 2016, que ano ingrato) mas prova que o Travis tá em constante teste e evolução, e sorte nossa que tem trabalho anunciado pra esse ano também. O hype já ta grande.

É isso mes amis, esses são os 10 trabalhos de 2016 que considerei mais relevantes em relação ao meu próprio gosto. Fiquem à vontade pra discorrer ai nos comentários e não fechem a aba do site, que esse ano nóis vai surpreender igual o Roxinho no Carioca. Até!

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3 comentários sobre “Topper 10 de 2016 (LAHuss)

    1. fala ai lek! a crew toda ouve o Paak pra carai, tem ate review do Malibu no site, mas é que a gente incluiu nas listas só os artistas de rap, e apesar do flow rimado o Paak é listado pela crítica e pela mídia como cantor de r&b.. mas sem dúvidas ele chegou benzão esse ano!

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