Review: “Prima Donna” por Vince Staples

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Fala aí, seus penta que sente cheiro de hepta! Menino Hussein invadindo sua tela ao melhor estilo Baidu e chegando com mais uma resenha de gringo por motivos de TÔ COM VONTADE DE REVISAR ISSO AQUI. A bola da vez é o EP do polêmico Vince Staples. Contemplado por produções do já famosin DJ Dahi e também do indiezao James Blake, o californiano soltou esse projeto um ano depois de seu aclamado disco de estreia. Como são só 7 faixas (praticamente 6, porque uma é intro), a review vai ser naquele famoso esqueminha faixa a faixa. Para de comentar coraçãozinho amarelo na porra do Facebook e vem ler!

A “Let It Shine” introduz o EP e num tem beat: na real ela é só o Vince cantando uma musica gospel, e depois vem um som de tiro. Cê deve estar pensando “ah, foda-se nunca que eu vou parar pra ouvir essa porra do nada”. Pois é, nem eu, mas nois não tira a review do nada: dentro do contexto e do conceito do projeto a intro funciona bem pra caralho e é essa ótica que a gente tem que passar. Pas.

A “War Ready” vem na sequência e é aquelas faixa que dá vontade de você meter o loco no decreto (o EP quase todo tem essa vibe aliás): o beat minimalista com resquícios de funk de SP, rasteirinha, alarme de carro + trilha sonora de Tetris te deixa com vontade de chutar cachorro na rua (nós da equipe RapShit recomendamos que NUNCA SE CHUTE O CÃOFRADE), enquanto o sample de “ATLiens” presente no início e no fim da track põe ainda mais tensão no clima. O Vincin chega rimando daquela forma que cês já conhece: ao mesmo tempo que ele vem com schemes interessantíssimos, ele tenta passar a mensagem da forma mais simples, sem firula e sem palavra complicada. E no caso isso é bom pra cacete, porque ele meio que se compromete a fazer uma música de qualidade mas com aspecto de “crua”, e consegue. Pelo menos até então.

A track seguinte, a “Smile”, quebra o clima pra caralho. Sério. Quebra o clima tipo aquele primo chato da novinha que cê ta garrando e quer ficar falando contigo de Dragonball Z Budokai Tenkaichi. Logo de cara já entra uma guitarra escrota estilo comercial de perfume e o Vince cantando meio que uma brigde. Nada contra guitarras, mas não casou nada nem com o beat, muito menos com a atmosfera do projeto como um todo. Nas partes onde o Staples solta o verso de fato, a base fica mais condizente com a proposta das produções do EP, mas é só ele soltar uma parte mais cantada que a porra da guitarra escrota entra. E na real, a track tinha tudo pra ser pica, porque a lírica do Vince não cai, mas a track só tem um verso e, onde parece que fica faltando coisa falada, sobra a porra do riffzinho. Vida que segue.

A faixa da sequência se chama “Loco” e realmente bem loca. Os beats voltam a ficar picas a partir daqui, e esse em especial tem em sua composição minimalista o que parece ser um lead e também uns efeito que parece o barulho dos carro de Fórmula 1 quando passa. No refrão e no pós-refrão rola um lance meio prog com uns instrumentos novos, bem maneiro. Nos três versos, o rapper cumpre com o título da track e fala sobre meter o loco (fala Santi!) de diversas formas: temas como suicídio, a vida loka nas ruas de LBC sendo da bandidagem e relacionamentos com as mina são expostos de forma bem fidedigna e com mais esquema de rima pica (realmente é o ponto mais forte da caneta do Vince e ele não faz cu doce em usar). A única coisa que eu acho que não acrescentou muito é o feat da Kilo Kish: ela meio que dialoga com ele no refrão e dá uma rimada no pós-refrão. O problema é: ela não rima bem. Se fosse só pra reproduzir diálogo, podia por tipo o skit em espanhol que rola nessa mesma track e é bem bom (falando em skits em espanhol em tracks sobre doideiras da mente, lembrei da “u” nessa parte). Enfim, se essa track fosse um pouquinho mais enxuta seria ideal, mas mesmo a aparição desnecessária da Kilo Kish não ofusca a qualidade do Staples e do beat.

A track seguinte dá nome ao EP e porra QUE SONZÃO DA PORRA. Vinicin vem com um ego maior que a Alcione grávida e muito técnico. As multissilábica flui parece que sem esforço, talvez por causa do vocabulário do rapper: é um bagulho bem rua mesmo, parece que cê tirou um menor da boca que coincidentemente entende pra caralho de encaixar combo de sílaba nas barra. O beat vem daquele jeitin esquisito experimental que nois gosta: é meio que um boombap onde ao mesmo tempo tem um 808 profundão, e complementando rolam uns samples vocais e de pássaros ecoando. Vi muita gente reclamando que o tão esperado feat do A$AP Rocky foi só no refrão mas eu afirmo, esse é o feat que deu certo. A voz casou pra carai, e talvez se o Roque soltasse um verso inteiro na track, ele ia ficar pra trás ou simplesmente o tema não ia casar com a atmosfera da faixa. Com o refrão aconteceu o contrário: parece que esse hook é uma parte da consciência do Vince ecoando na cabeça dele, ficou maneiro pra carai.

A penúltima track é uma das mais lindas. “Pimp Hand” é praticamente a versão de Hollaback Girl feita por um muleque preto de gangue. Mas não se engane por ela ser catchy pra caralho: em meio a esses drums suingados o Staples vem com uma porra de um esquema de rima maravilhoso tanto no 1º como no 2º versos. Na real mesmo é isso que deixa a track tão chiclete, cê vai ouvindo as rima entrelaçada, a sílaba da terceira linha que conecta com a sétima e a décima quarta e etc ai cê vai percebendo o dom que o Vince tem de te deixar preso na faixa usando uma linguagem bem didática. Mais uma com selo Summer Decretohits pra meteção de loco nas sexta-cheira.

A faixa que finaliza o EP cumpre tal função de forma magistral. Na “Big Time”, ele solta um flow chiclete em cada verso, e com um esquema de rima em cada. No 1º, o filha da puta abusa da sonoridade das sílabas alongadas, enquanto no 2º ele vem com o flow do Future soltando várias holorima (em japonês quer dizer aquele tipo de rima que as sílaba da linha de cima rima exatamente com as da linha de baixo, para mais detalhes ouça MF DOOM). No verso que fecha a track ele vem com um flow back and forth acelerando e reduzindo (conhecido nas quebrada como flow metida de piru). É importante ressaltar que durante toda a faixa ele abusa da homofonia, usando esse recurso de uma forma bem interessante e com umas punchlines maneiríssimas, coisa que ele não tinha explorado a fundo até então no EP. O instrumental tem um synth a la jogo antigo, que casa benzão com a bateria caótica. Belíssimo encerramento.

No geral, se no EP não estivesse presente o grande equívoco que é a “Smile”, o Vince brigaria no topo dos projetos mais bem executados no ano. As faixas elogiadas na review realmente merecem todas as aclamações possíveis, assim como o conceito que ronda sobre todas elas. O rapper californiano permite ao ouvinte entrar na sua mente perturbada e ver tudo que o aflige, sem maquiagem, por meio de uma lírica afiada e de instrumentais que acrescentam ainda mais caos aos ouvidos. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog porque aí vem mais review tão quente e chapante quanto copinho de Guaravita no Aterro. Até!

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Um comentário sobre “Review: “Prima Donna” por Vince Staples

  1. Sem contar que o ep conta a historia de um artista que luta pra conseguir chegar ao topo e quando chega lá, ele suicida, detalhe, a hisotria é contada de tras pra frente, entao eu sempre ouço esse ep da setima faixa pra baixo, é mais coeso de que ouvir na sequencia ´´correta“

    Curtido por 1 pessoa

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