Review: “Birds In The Trap Sing McKnight” por Travi$ Scott

birdsreviewFala aí, seus propaganda eleitoral gratuita! Menino Hussein aqui e dessa vez to resenhando um dos álbuns mais aguardados desse belo ano de 2016. Ai ce deve estar se perguntando “ué mas o Huss não pega as nacional?” “será que o Vinar sofreu impeachment?” Não, não foi dessa vez que conseguimos derrubar esse índio do poder, mas eu to dessa vez revisando um gringo por motivos de EU TAVA NUM HYPE DO CARALHO PRO CD E É ISSO QUE IMPORTA. Menino Tréviscort veio pesadão carregando vários pente e conseguiu soltar um dos melhores discos do ano até agora. Quer saber o por quê? Assine a globo.coMENTIRA, só vai abaixando a bolinha do mouse e lê ai.

Uma coisa bem clara e que eu nem precisava estar falando agora é que o Travi$ nunca teve a pretensão de ser um gênio lírico. A proficiência dele ao mic envolve outros aspectos como melodia (TUDUBOOOOOM), ad-libs, autotune e a habilidade de criar verdadeiros hinos de zé droguinha (GOSTO). Essas skills são indiscutíveis e ficam cada vez mais a mostra no BITTSM: é impossível ce não ficar com vontade de meter o loco ao ouvir as melodia tunada do Trevinho, com toda sua extensão vocal e entendimento de acordes etc e tal, e não se pegar gritando um “straight up” do nada. SÓ QUE não satisfeito, esse filha da puta resolveu dar uma estudada nas técnicas de canetada. Não to dizendo que ele se tornou o novo Rakim, mas dá pra ver uma noção boa em várias habilidades: rola uma homofonia sagaz no refrão da “sweet sweet”, um hook multissilábico na “through the late night” (QUE MÚSICA, VOU FALAR MAIS DELA ADIANTE), e uns esquemas de rima e punchs interessantes na parte rimada da “way back”. Vale a pena destacar que essas partes rimadas deram uma diminuida, mas isso não é um demérito, pelo contrário: o cria de H-Town reconheceu que seu maior trunfo tá nos momentos onde ele se mostra mais melodioso. Outra parada interessante na escrita do Scott é que ele consegue te por fácil na pele dele: o BITTSM é um álbum de caráter bem pessoal e, pra que esse tipo de proposta dê certo, é essencial que o rapper tenha uma habilidade razoável de descrição e narração. E eu juro pra você, dá pra se sentir na pele dele nos momentos sentimentais da “goosebumps” e da “first take”, como também na meteção de loco presente em tracks como “biebs in the trap” e “outside”.

Em relação à produção, sempre se espera pra caralho do Travi$, e por diversos motivos: além do próprio ser um beatmaker de altíssimo nível técnico e criatividade, ele na maioria das vezes chama nomes como Mike Dean, Wondagurl e Boi-1da pra colaborar nos instrumentais. E eu só queria dizer que TÁ TUDO MUITO LINDO PUTA QUE ME PARIU. Não era surpresa que o trap ia ditar o ritmo do disco, mas pra quem esperava algo genérico e sem originalidade, quebrou a cara legal. A atmosfera dark foi explorada pra cacete, e todo o conjunto de sample + arranjos vocais + instrumentos tocados casou bem demais devido à mix/master sempre certeira do Dean. Alguns instrumentais, como o da “coordinate” e o da “sdp interlude” são verdadeiras obras de arte. Há pontos que eu acho importante ressaltar: além das já famosas viradas de beat e finais de track com umas progressões de acordes bem maneiras, tem um lance bem loco que rola nas tracks que tem feat: é como se o type beat dos artistas convidados fosse meio mesclado com a proposta musical do CD. Se tu não entendeu ainda vou exemplificar: na “goosebumps”, que é assistida pelo reizinho Kendrick, o instrumental é co-assinado pelo Cardo (um cara que assina vários beats da TDE, como o da “untitled 2” e o da “Vice City”, e tem um estilo bem reconhecível), só que o mesmo tempo a base tem a cara do Travi$. Na “first take”, que tem feat do Bryson Tiller, há uma mescla da sonoridade obscura do álbum com um pouco do que rolou no T R A P S O U L. A mesma parada ocorre na “wonderful”, que fecha o disco e dessa vez conta com a aparição do cabelo de coqueiro AKA The Weeknd.

Num apanhado geral, Birds In The Trap Sing McKnight é um disco bem pensado pra cacete e com uma execução quase impecável. É muito pica ver como o Scott consegue usar muito bem o artifício da referência: além das já citadas no parágrafo anterior, dá pra pescar várias homenagens a ídolos dele, como a interpolação de Day N Nite do Cudi (inclusive na track que tem feat dele, QUE HOMENS), e o barulhinho do gelo caindo no purple drink logo quando algumas músicas começam, numa clara referência ao que o Lil Wayne fazia antes de suas músicas começarem (no caso do Weezy era o isqueiro acendendo o beck). É notável a preocupação existente em conectar as tracks numa linha bem coesa, e deve ser por isso que alguns leaks quentes tenham ficado de fora (eu particularmente tava esperando a “Yeah Yeah” no álbum, mas se pa ela não tenha se conectado tão bem à proposta do disco como um todo). Os feats funcionaram de uma forma tão boa que eu nem acreditei. Era óbvio que nomes como André 3000, Keridinho, Young Thug e Kid Cudi não iam decepcionar, mas quando eu li a tracklist e vi o 21 Savage pensei “puta que pariu uma track perdida”, e acabou que a faixa tá bem boa, o Savage trouxe um verso decente (um adendo: ele é o único rapper gringo que puxa o X igual carioca, incrível isso). Pra fechar o texto, queria dizer que o Trevinho se encontrou musicalmente, e o caráter pessoal do disco aliado a essa produção do caralho dão a ele um potencial pra se tornar um clássico moderno (posso queimar a língua, me cobrem daqui a 5 anos). Por ora, o viciado de Houston conseguiu convencer com suas histórias sobre minas que cheiram mais que o Casagrande, putarias em vários estados e relatos que remetem a um passado bem diferente mas não muito distante. E é isso mes amis, fiquem ligados nessa porra desse blog porque nóis tá soltando vários texto tão assustador quanto o total de pensão alimentícia que o Catra tem que pagar. Até!

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