Single Review + Merda No Ventilador: “Sulicídio” por Diomedes Chinaski e Baco Exu do Blues

sulicidiorev

Fala aí, seus posta e deleta! Cacique Vinar AKA Bruxo Lendário do Norte AKA Sem amor pelos reviewers de RJ e de SP (Exceto os da crew <3) dando mais uma vez o ar da sua graça no site pra falar dessa track que tanto causou durante essa semana e espero que cause mais ainda porque a gente gosta de ver a porra do circo pegando fogo. Tô falando da track “Sulicídio” de Diomedes Chinaski do grupo pernambucano Chave Mestra e de Baco Exu do Blues (Seja lá o que isso signifique. Explica pra nois, Baco) do grupo baiano DDH. Tanto o Diomedes quanto o DDH já tiveram review aqui no site, só dar um search aí que cês acham.

Bem, se cê tava morando embaixo de uma pedra essa semana e não tá sabendo dessa track, vou explicar: “Sulícidio” tem muitos punches direcionados a rappers do Sudeste: Felp (Cacife Clandestino), Dalsin, Nog (Costa Gold), Filipe Ret e outros são citados na track e isso gerou um rebuliço nas redes sociais (Infelizmente, porque a gente quer TRACKS) com respostas dos MCs citados e outros que nem citados foram mas se incomodaram com o teor da track. Então, nós da crew decidimos que essa track merecia além de uma single review, um Merda no Ventilador e pra facilitar vamo fazer tudo num post: Eu toco a review e  Tozin AKA TextãoBoy e Francini AKA ProblematizadoraGirl (Nossa mais nova colaboradora) vão tocar o MNV. #pas

Vamos começar pelo beat, produzido por SLy. & Mazili, começa de maneira bem agressiva com uma colagem da música “Pica Pau Pirou” do polêmico artista do ‘pagodão’ baiano conhecido como Igor Kannário, o conteúdo da música faz referência ao consumo de cocaína; o trecho usado: “Quem não jogar o corpo de um lado pro outro, sair do chão vai morrer na saída” (mais gangsta que muito rapper), com essa frase de tom provocativo, o beat não poderia vir de outro jeito: um trap bem agressivo e hard hitting, uma melodia simples de construção semelhante ao ‘pagodão’. Super efetivo para proposta da track.

O primeiro verso é do Diomedes e suas frases iniciais já resumem a intenção do som, questionando a falta de conhecimento do público do rap para com a cena do nordeste. Além disso, ele vem com uma métrica muito louca e esquema de rimas mais ainda. Como nesse trecho, onde ele começa com um esquema de rimas ABBA (Falar/Norte/Sorte/Falhar) e a partir daí ele encaixa uma multi (no covil falhar/nunca ouviu falar) e em seguida ele começa outro esquema (cocada-saldo/desgraça-caldo/comparsa-laudo) e nesse novo esquema tem uma rima interna e uma aliteração com o som de “ss” (missão, desgraça, engrossa, comparsa). Aí eu te pergunto, PRA QUÊ tudo isso? (Eu escrevendo esse paragráfo)

Como é que você nunca ouviu falar
Nos bruxos lendários do Norte
Dos números raros da sorte
Não convém ao lobo no covil falhar
Como é que você nunca ouviu falar
Nas cocadas de sal, na missão do saldo
Nordeste desgraça, engrossa o caldo
Primórdio compassa já deu o laudo

Os punches do menino também vem no ponto, muitos deles direcionados a outros rappers chamando a competição por meio do braggadocio.

O segundo verso é do dono da track, menino Baco, ele começa com o pé na porta  mandando punches sujões, porém o seu flow lá para o meio do verso dá uma desandada e comparado com as suas primeiras linhas, está bem inferior, principalmente na questão da famosa métrica.

Seu MC favorito, fala muito na internet
Seu MC favorito, compra coca e paga com boquete
Fila da puta respeita o Nordeste
Não é comendo traveco que se vira fenômeno
Alguém avisa pro Ret

Outro ponto super importante da track é o refrão, simples mas super chiclete. Gruda na cabeça de uma tal maneira, que puta que pariu. No geral, “Sulicídio” é muito foda, e espero que ela faça os MC’s elevarem seu jogo, se levantarem e dar uma resposta a altura com um som e que o público volte os olhos pros talentos do Norte e Nordeste, que não são poucos! Fiquem com o MNV agora. PEAACE e bate a cabeça, ladrão!


Vitor M.: Primeiramente: #ForaTemer! Segundamente: #Aécio! e terceiramente…. FILHA DA PUTA RESPEITA O NORDESTE! Vitor aqui de volta depois de alguns dias de repouso mental para tecer comentários sobre a nojeira que tá esse tal rap game brasileiro. Aí, seus arrombados, na próxima vez que eu escutar rapper do sudeste dizendo que é o terror dos mc’s e blá blá blá, e não aguentar 1:30 de jabs eu vou mandar tomar no cu seguido de “Bate cabeça ladrão”.  É engraçado vocês que dizerem que há um cenário agressivo no rap nacional, que são cria, que dizem que são os melhores, mas  quando chega alguém querendo contestar isso, vocês ficam chorando em Twitter e Facebook. ISSO É RAP, PORRA ! Se tá achando ruim, vá escutar Wesley Safadão! (nada contra o REI).

Pois bem, para melhor organizar isso…Lá tava eu na universidade quando os tiros de bazuca foram disparados. Chegando em casa, a crew no whats tava em choque e vários textões foram jogados. O negócio é, quando que vocês vão parar com essa mentalidade “irmãos da Igreja rap nacional”? Sério mesmo? Vocês tão me tirando? Sejam cabra macho, suas míseras! Se vocês querem entrar na arena, vocês irão lutar com leões! Baco, que som ‘du’ carai, boy! Botou pra foder! Só vacilou naquela linha usando termo traveco e do soropositivo, né?  Desnecessário, atente-se nas próximas… e Diomedes? PUTA QUE PARIU, meu pirraia, botou Nordeste/Pernambuco na cena, meu comparsa! Nas cocadinha de sal dos olhin vermelhos eles já tão ligado…aqui tem pano não…ALOSPRA TUA BRABA AQUI NÃO, BOY.

Francini: Cheguei, cheguei, quero ver todo mundo quebrando ♪ … a conselheira da crew, já inicia os trabalhos fazendo o que sabe fazer de melhor: jogar a merda no ventilador!!! Eu vivi para ver Baco e Sly. pararem o rap nacional (vocês são barril dobrado)… AMÉM, ou melhor: AXÉ!!
Sulicídio, a polêmica: parece que mesmo depois de todas as explicações dadas por Baco e Diomedes, em postagens nas suas redes sociais, como para o site RND e nos comentários de algumas postagens de outros MCs; as pessoas não entenderam ou não querem entender a importância desse som para o cenário do rap nacional como um todo. A faixa levantou nesta semana diversas reflexões, nas quais irei destacar apenas duas, uma geral e outra mais específica.

A reflexão mais geral, destaca em vários comentários, concentra-se na mesmice do rap nacional atual, em principal no mainstream.  Os artistas vem se mostrando acomodados com uma ‘formula’ que pressupõe trazer sucesso e se viciaram em usa-la sempre em seus trabalhos, trazendo para o público, conteúdos fracos e repetitivos.

“Querem crescer a custa dos outros”, “sua cena não faz sucesso e você quer atacar a minha?”, “música xenofóbica” (apresento-lhes o novo caso de xenofobia reversa, rs) … os comentários sobre a faixa, em muitos foram não só xenofóbicos, como demonstra uma falta de reconhecimento de certos privilégios por parte de pessoas do eixo do sul. Talvez, muitos não saibam, mas a falta de sucesso na nossa cena nordeste, não deve-se ao fato de que aqui não temos bons artistas; e sim, esta correlacionado com uma questão histórica e estrutural de formação do nosso país, com as mudanças de eixo econômicos, do nordeste para o sul (aqui no nordeste englobamos como sul, as regiões sudeste e sul). Assim, a questão do ‘sulicídio’ não é uma questão apenas de ‘faça melhor’; é um grito há muito tempo guardado pelo descaso e falta de respeito com nossos produtores e artistas nordestinos. Seria interessante se os MCs que postaram sobre sempre respeitarem o Nordeste e que até fazem show aqui; expusessem como eles agem nos camarins com os artistas daqui, como zombam e fazem exigências absurdas para os produtores. Ou vocês acham que o ‘cocaína’ e ‘boquete’ na track é somente ofensa? Gostaria também que colocassem os nomes dos locais nos quais fazem seus shows, onde estão localizados esses espaços e qual o público predominante; “meu rap é pipoca, não é bloco”.
De verdade, o que poucos entenderam, é que a crítica maior na faixa está para nós mesmos, nordestinos e nordestinas, que consumimos shows dos artistas de fora com ingressos a valores altos, mas queremos entrar de graça na festa de um artista que é seu amigo/amiga (e caso não liberem sua ‘VIP’, você sai falando mal em suas redes sociais). É para você, nordestino e nordestina, que acha que não vale a pena cidade investir nos artistas do cenário do rap, pois estes não dão dinheiro e nem futuro; o dinheiro no rap só se for com evento e com artistas do eixo RJ/SP, que cobram seus valores correspondentes a sua estrutura (óbvio/justo) e aos artistas locais chamados para preencher as atrações nestes eventos, são oferecidos ‘divulgação’ ou o espaço para cantar em trocas de favores; além de muitas vezes não receberem cachê, lhe são negados ou é ausente, o auxilio com a locomoção e suporte na alimentação.

Dessa forma, destaco a reflexão específica, sobre como a faixa Sulicídio pode ser a injeção de ânimo que precisávamos no cenário do rap nordeste. Talvez, eu seja apenas uma entusiasta, mas acredito que em breve, nas ‘páginas do livro do rap brasileiro’, teremos o capítulo: “A importância da faixa Sulicídio para o rap atual”, leremos sobre os vários MCs que tomaram coragem com o ânimo de valorização que a música trouxe em suas estimas como artistas e em como essa faixa foi o pé na porta avisando que os MCs do Nordeste não estavam para brincadeira.

Nós seremos a Atlanta do Brasil.

Nordeste, a peste!

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11 comentários sobre “Single Review + Merda No Ventilador: “Sulicídio” por Diomedes Chinaski e Baco Exu do Blues

  1. Maluco, eu sou de bh e achei esse som bom pra caralho, sempre me perguntei, se os mcs falam que sao o terror e acabam com seus inimigos, quem é o inimigos deles? Pq esses mcs fecham com todo mundo, entao nao teriam ´´inimigos“, fora isso, diomedes melhor melhor do mundo foi bruxao nessa track e quem conhece o trampo dele ja ta ligado no papo da sulicidio a muito tempo

    Curtido por 1 pessoa

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