Review Nacional: “Cacife Gold” por Costa Gold & Cacife Clandestino

costagold

Fala aí, seus bate continência no pódio! Menino Hussein AKA sumido do site trazendo mais uma resenha bolada de um trabalho da cenanacional. O escolhido da vez é o EP colaborativo entre dois dos grupos de maior popularidade atualmente: os cariocas do Cacife Clandestino e os paulistas do Costa Gold. Os cara resolveram lançar um trabalho juntos pra aproveitar o grande alcance de ambos os lados. Como são poucas faixas dá pra fazer aquele esqueminha track por track. Quer saber como eles se saíram? Para de procurar nude da Jade Barbosa e vem com nóis!

Quando eu pus a primeira faixa pra tocar, não acreditei no que ouvi. E não to falando isso elogiando. A “Intro” do EP tá discaradamente a Vice City do Jão Pedra (cujo álbum saiu ano passado e euzinho mesmo revisei). Os cara refizeram o beat e deram aquela mordida no “Obama flow”, que é como os cara lá de fora chamaram a levadinha viciante dessa track. Nada demais fazer um remix de faixa gringa, aliás pode ficar bem pica (como a Xish e os remixes da Panda que tão rolando), mas querer passar essa música como inédita e por ela logo de primeira é tiro no pé demais.

A track seguinte tem o nome de “Sirene”, e as coisas não melhoram muito. Não que ela seja uma cópia tão óbvia como a primeira, mas ainda assim é genérica a vera. O beat a la DJ Mustard (que os cara do Costa já tinham lançado uma vez em “Chapei”) e a tag do London On Da Track sendo adaptada ao Pedro Lotto arranharam o coração. A escrita é até decente (Nog entende de esquema de rima, assim como o Predella: só que um precisa ser menos repetitivo e o outro menos nonsense). O flow cantado do Felp dá uma variada na questão sonora mas a caneta nessa track não tá lá muito afiada (há performances melhores dele ao longo do EP).

A 3ª faixa se chama “Não Há”, e é um pouco melhor em relação às anteriores. A voz normal do Nog cantando o refrão no comecinho soou bem, e os três MCs se revezando no mesmo refrão posteriormente também ficou maneiro. O beat não é lá um dos mais inovadores, mas pelo menos aqui o Lotto segue sua trademark e não morde tanto outros produtores. O destaque nas rimas vai pro Felp, soltando um flow diferente do usual num verso cheio de referências. Nada espetacular, mas soa bem aos ouvidos.

Prosseguindo a audição, chegamos na “Miss”, a love song que não podia faltar. Aquele famoso type beat de love song, mais os famosos type verses de love song. O Felp se mantém constante mas dá uns ligeiro atropelo no beat, nada demais. O Predella tenta encaixar umas referências mas o resultado é um grande “NÃO ENTENDIR” (e a interpolação de “21 Questions” fica meio confusa também, não encaixa perfeitamente). O Nog chega com o verso mais técnico mas não muda os assuntos tratado: mais uma dezena de linhas exaltando a mina e o flow dele, coisa que geral já viu.

Na sequência, “Uma Na Agulha” chega com versos escritos de uma perspectiva pessoal e particular de cada rapper. Mas nóis que já ouviu os trabalhos anteriores já sabe essa perspectiva de cor. Felp falando da dicotomia entre o rap e o crime, e os dilemas de ambos os lados, Predella lançando um braggadocio + umas linhas sobre a família, e o Nog naquela mesma: verso com métrica boa, muitas sílabas rimadas, mas repetitivo demais (tão repetitivo que já tá repetitivo eu falar que ele tá repetitivo. Se ligou na repetição?) Ao menos o beat tá bem maneirin.

A faixa seguinte é batizada de “Controverso”, e tinha tudo pra ser um highlight do caralho por alguns motivos. Primeiramente pelo Luccas Carlos acrescentando bem ao refrão e ao final, mas principalmente porque o verso do Predella tinha tudo pra ser PICA. O shot pro Terceira Safra usando a estrutura da “Insomnia” caiu como uma luva, e até a metade do verso ele vai mantendo o nível bem alto. Aí a partir da parte em que ele resolve se comparar ao Speedfreaks (não que isso seja ruim, mas tem que sustentar) o verso desanda no nonsense. As linhas do Felp me agradaram bastante (um dos versos mais líricos dele no EP) e o Nog eu não comento mais, porque vou acabar falando o que já falei analisando as faixas anteriores.

A faixa final se chama “90s” e, com exceção do beat boombap, não entendi o porquê desse nome. Cada um dos 3 MCs chega rimando sem muita temática, só aquelas 16 linhazinhas de sempre. Também não há uma conexão notável entre os assuntos de um verso pro outro, parece que foram escritos pra faixas diferentes e colados ali. Um encerramento sem muito cacife, e que não fechou com chave de ouro (PERDÃO PELOS TROCADILHOS).

Num apanhado geral, a colaboração dos grupos não culminou em nada novo: eles apenas repetiram o que já fizeram em trabalhos anteriores, e também morderam um cado do que tá estourado lá fora. É inegável que o EP tem um apelo forte ao mainstream e que essa junção fará números em se tratando de views e shows. Só que esse blog que vos fala analisa apenas os trabalhos. Longe da gente ser hater, só que se todo mundo for elogiado, não tem nem sentido analisar. Enfim, são artistas jovens, com potencial e grana pra investir em trabalhos bem mais coesos e originais. É isso mes amis, fiquem ligados no blog mais pica da cena nacional, porque nois tá mais alto que os cara do Dream Team. Até!

Nota do Vinar: Se essa não for a caralha da capa, quero mais que se foda. #pas

Anúncios

5 comentários sobre “Review Nacional: “Cacife Gold” por Costa Gold & Cacife Clandestino

  1. Bom ou ruim, respeito onde os caras chegaram… Meu sonho é por meu projeto na rua… imagina então tê-lo revisado aqui…
    Um forte abraço!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s