Review Nacional: “Ainda Há Tempo” por Criolo

lescriolesreviewFala aí, seus pezinho mal feito! Menino Hussein com mais uma resenha pra alegria da nação! Na última semana nois ficou devendo texto, mas é porque o bonde do blog é igual o Peter Parker: além desse nosso trabalho heróico de escrever sobre rap, nois também tem que fazer os corre pra cuidar da tia May e levar a Mary Jane pra comer pipoca na pracinha. A review de hoje é diferente de tudo que eu já escrevi, porque é sobre um remake do primeiro CD de um dos artistas nacionais mais respeitados do gênero. Les Crioles resolveu repaginar seu debute na cena, de uma época em que seu vulgo ainda era Criolo Doido. Quer saber como ficou esse novo disco antigo? Fecha a aba do Cartola e vem ler a porra do texto. 

O “Ainda Há Tempo” original saiu numa época que o Criolo era o tipo de MC que dava bem mais atenção à mensagem em si do que à técnica. Então, os que começaram a ouví-lo a partir de seus dois últimos discos vão notar uma lírica mais crua nessas composições: ocasionalmente rola uns verbo rimado com verbo, umas linha onde cê sente que falta uma sílaba pra métrica ficar mais redonda, mas a forma ácida de criticar do rapper, somada a um delivery mais agressivo (antes de tirar o “Doido” do nome artístico o Criolo tinha essa característica bem nítida) sustentam bem as músicas. Um lance curioso que rolou foi a substituição de umas palavras que tinham nas versões originais das músicas por outras mais adequadas ao discurso de agora do Kleber. Na nova “Vasilhame” (melhor performance lírica do álbum), ouve-se “o universo tá aí” ao invés de “os traveco tão aí” da original. Isso rola mais algumas vezes ao longo do álbum, e faz com que o prosseguimento de umas linhas perca um pouco do nexo, mas foi uma escolha pessoal do Criolo pra ser condizente com o pensamento atual dele.

As produções, ao contrário das letras, são todas inéditas, e foram assinadas por nomes consagrados da cena. Beatmakers como Nave, Tropkillaz, Papatinho e Sala70 (que quebrou tudo na “Chuva Ácida”, base que eu mais curti) adicionaram bastante à proposta de revitalizar as rimas de uma década atrás. Tem influência de gêneros como reggae, jazz, e até vários elementos de trap, mostrando que o Criolo tá de olho no que tá em alta na cena e quer se manter atualizado. De uma forma geral, os arranjos estão muito bem feitos, mas alguns beats soam meio desconexos nas transições, deixando parecer que os produtores quiseram muito mostrar versatilidade e esquecessem por alguns segundos a coesão das bases.

É difícil avaliar uma regravação de um álbum cuja reputação é bem alta, ainda mais evitando comparações. Ao tentar repassar sua mensagem de 10 anos atrás, mas que se mantém atual, Criolo tentou adaptar o que julgou como falho no seu discurso antigo e dar uma roupagem nova às suas composições. Muita gente acha que desde de o “Nó Na Orelha”, quando o nome artístico encurtou, a pessoa artística do rapper mudou radicalmente, e nesse remake é nítido que ele tenta resgatar o melhor do Criolo Doido e adaptá-lo à nova realidade do Criolo, mas não consegue mesclar as duas personas. Ainda assim, a qualidade das produções e a proposta enxuta cumprem bem o seu papel. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog porque aí vem mais texto tão nervoso como o Bambam na academia. Até!

 

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