Review Nacional: “Direto do Hospício” por DDH

ddhreviewD.D.H, desgraça! Diretamente da Bahia, Salvador, a dupla de rap formada pelo Baco e MOBB, me divertiu bastante nesse começo de ano dropando musicas que me fizeram ficar de olhos abertos pro que viria. Depois de largar uns ali, outros acolá, o DDH finalmente solta nas ruas com suas rodas de ladrão, o “Direto do Hospício”, um EP curto, homônimo, e que vai apresentando um rap sujo cheio de boombap.

A primeira musica que escutei desses caras foi a primeira musica desse EP, com nome de “A Sigla”, logo que escutei fiquei rindo horrores e me perguntando quando iria sair mais. Fiquei ansioso, admito. Com um teor lírico forte, apelando para rimas psicodélicas cheia de referências e punchilines fudidos, o grupo de Salvador me chamou atenção logo e ganhou pontos absurdos comigo logo com essas linhas (Que são largadas logo na primeira track):

Confundindo ser feliz com sífilis
MC infeliz caiu no truque das groupies
Em trupes com diss esse som condiz
É sujo como Bolsonaro e Fidelix
Recebendo esperma no nariz de cem travestis” (“A Sigla”)

Rimando, como o MOBB diz, pro “Capeta e pras freiras”, os caras já dão a cara da pegada do trampo. Entretanto, o registro dá uma forte impressão que o trampo segue com seis tracks que apresentam um compilado das melhores tracks da dupla. Não há um conceito bem definido, apesar disso, todas as faixas são bem coerentes. Todos eles, apresentam a pegada obscura, cheias de referências e bem pesadas, como na faixa “Abra a Cabra” :

D.D.H a escuridão e a luz, Baco Exu do Blues
Matando mais que a souza cruz
Cruel como a fila da SUS
Imprevisível como uma freira
Que decide sentar na cruz” (“Abra a Cabra”)

Como eu já vinha dizendo, o bagulho é sujo, ladrão. Seguindo para as participações, os versos são bons, animais. Tanto Dark Wav e o maninho do Beirando Teto arregaçam, destaque pro maninho do Beirando Teto que vem com umas linhas polêmicas e que gerou até um debatezinho no whats da crew, linhas na quais tá ai em baixo, segue :

“Uns críticos de rap que não fazem rima
é típico de bico que quer auto estima
Mc’s de mil flows com um flow desencapado
e os caras frustrado com o instagram atualizado
Trap não é rap, flow não é ideia,
devolve o liricismo e pau no cú da sua plateia” (“Santíssima Trindade da Sujeira”)

Polêmico, não? O que nós acha disso? Bem, é o game porra! Contudo, eu não concordo muito com o que ele falou, MAS, o verso dele é pesado. Já no quesito das produções, percebemos que o boombap é limitado, que chega até ser muito mecânico, massivo. Porém, as batidas sabem deixar o espaço livre pra chacina rolar solta. E é perante tudo isso, que eu curti demais esse EP, independentemente do registro apresentar uma produção quase que caseira, você percebe que o underground vive, mano. Rimas afiadíssimas, técnica de métricas boas, versos que apresentam curtas multissilábicas com um arsenal lírico forte, versos pesados e sangrentos. DDH tem um dos melhores projetos do ano aqui por terras tupiniquins. DDH, desgraça!!!!

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Um comentário sobre “Review Nacional: “Direto do Hospício” por DDH

  1. Acho indispensável citar a participação do Dark:

    “Me sinto só, espiritualidade em conflito
    Tiro um pitaco dos meio quilo, estico em um prato de vidro
    Avisto um amigo seguir no rumo ao mesmo abismo
    Como treta contigo se a ambos foi propício
    Mesmo precipício desde o princípio, direto do hospício
    Amigo jaz atrás do que é branco e não traz inspiração de Paz
    Ser em conflito, eu meu próprio inimigo
    Quando permito que o que é químico deturpe o meu psíquico”

    Curtir

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