Review Nacional: “A Coragem da Luz” por Rashid

rashidacoragemdaluzREVIEEEEWFala, seus Eduardo Paes gastador de Maricá! Após umas duas semanas desaparecido desse lindo site por motivos de não saía projeto nacional pra revisar, cá estou eu de volta na minha função heroica, já que a cena voltou a esquentar. E a resenha de hoje é sobre o álbum de estreia de um nome de bastante peso: falo do nosso parça Rashid, que nos concedeu uma entrevista pica e até chamou o Santi AKA catuabapapi pras audições desse debute. Mas nem por isso nóis vai pagar de amigo bonzinho, a review é séria, larga o Pipa Combate e vem conferir! 

Já começo passando a visão sobre a performance do Michel ao mic. Fica claro ao longo do disco que o cara buscou aperfeiçoar aqueles quesitos em que já reinava. Falo das punchlines inteligentíssimas, dos esquemas de rima flexíveis e do talento pra mesclar críticas sociais com referências da cultura popular e dos acontecimentos contemporâneos. Saber que o Rashid tá ainda melhor nas skills pelas quais ele já era conhecido é maneirão. O grande contraponto é que ele não apresentou um desempenho espetacular em alguns outros quesitos. Não há uma grande variedade de flows (mesmo com a diversidade sonora dos instrumentais, assunto do qual falarei mais abaixo), e dá pra perceber que o delivery das letras ficou um tanto monótono, ou seja, o tom de voz, a expressão e as nuances emocionais pareciam sempre as mesmas conforme as faixas foram rolando. Ainda assim, a proficiência do rapper ao passar suas mensagens foi notável e num apanhado geral, positiva. Dá pra pegar várias linhas pesadas em faixas como “Laranja Mecânica”, “Segunda-Feira” e na picuda “Futuro/No Meio Do Caminho”, na qual ele já vem cuspindo fogo em duas bases diferentes e, no fim, ainda solta um verso a capella espetacular. Pega aí um trecho:

Please?! Tem mais post que rima, para!
Maldita hora que deram o Facebook na mão desses cara
Ontem foi contra o sistema, legal
Hoje é dominado pelo sistema operacional
E quantos filho as mãe perde nas quebra?
Sou o futuro, vim tirar meus irmão da idade da pedra
Atroz, cá entre nós, “lek” veloz, “ói”
Livre de algoz, chora boy, venha de Rolls Royce
Que eu vou na voz de Niterói a Illinois
Dói em quem cresce o “zói” pois nossa luz vale por 2 sóis
Sou sonhador fora dos lençóis (“Futuro/No Meio Do Caminho”)

A produção realmente é de um nível nem sempre visto nos trabalhos nacionais, especialmente falando de cada track separadamente. A grande variedade de beatmakers envolvidos gerou uma grande diversidade sonora, que envolveu desde instrumentais inspirados pelos ritmos regionais brasileiros, como também contemplou algumas das tendências das bases mainstream de hoje. De forma individual, a maioria dos beats é lindão (meu destaque pessoal vai pra “DNA”, que samba mes amis), só que é como se os beats destoassem muito uns dos outros em questão de estilo, o que culminou em uma sonoridade meio difusa, misturada demais. Outro quesito que deixou a desejar foi um certo ar genérico nas faixas mais radio-friendly, como a “Depois da Tempestade”; nada contra produções mais simples e voltadas pra tocar nas estações, mas contrastou bastante com alguns beats mais desafiadores presentes no disco, como o free jazz de “A Cena”. De qualquer forma, dá pra perceber que cada som passou por muita lapidação, inclusive nos processos finais: rolou uma masterização finíssima, dá pra perceber cada instrumento limpinho. Pra quem se interessa por essa área em especial é quase que um orgasmo auricular.

Num apanhado geral, o Rashid fez seu dever de casa, e a presença de produtores e participações de peso (feat do Mano Brown tá imperdível) também contribuíram pra um certo êxito do disco. Dá pra perceber, entretanto, que a zona de conforto em relação aos trabalhos anteriores, tanto em temáticas quanto em habilidades, foi mantida; o Michel continuou bom no que já era e deixando uma sensação de “podia ser melhor” em alguns tópicos já citados. A abrangência de sonoridades tirou um pouco da coesão do trabalho, tornando-o um pouco genérico. Mesmo assim, os pontos positivos do disco predominam e a qualidade demonstrada se mantém do início ao fim. E é isso bonde, não fechem a nossa aba que aí vem outros textos mais surpreendentes que o jogo político brasileiro. Até!

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