Review Nacional: “Conteúdo Explícito (Parte 1)” por Cacife Clandestino

cacifereviewFala aí, seus música sem título do Kendrick! Menino Hussein na missão eterna de dissecar os lançamentos que rolam na nossa cena brazuca, e a pauta dessa semana é o novo disco do duo carioca Cacife Clandestino, formado pelo rapper Felp e pelo DJ e beatmaker Terror dos Beats. Após longas tardes de meditação a base de Santo Daime, incenso de anis e Guaraviton de Ginseng, sinto-me preparado pra redigir sobre o álbum. Sem mais caozada, bora!

Todo mundo sabe que os temas geralmente explorados pelo grupo tem a ver com droga, crime e mulher. Até aí nada contra, porque nois da equipe também vive um cotidiano regado a isso tudo. Só que o Felp não soube explorar as nuances dos temas, e entregou versos muito iguais uns aos outros, o que tornou o trabalho bem unidimensional. Dá pra ver que ele estudou uns esquemas de rima, mas o que te surpreende nas primeiras tracks é a merma parada que cê vai ouvir nas últimas, e nem preciso falar que essa monotonia cansa. Os flows também se tornam previsíveis ao longo do projeto: rola na maioria das faixas do rapper intercalar o flow “normal” com sua flipada característica e também com umas partes mais cantadas, e essa organização das levadas fica meio batida.

A produção, em contrapartida, é o ponto alto do CD. Há instrumentais assinados não só pelo Terror, mas também por outros nomes consagrados como WC Beats e Neobeats (que deu uma mudada, lançou umas bases diferentes daquelas que ele sempre solta e acaba sendo chamado de “repetitivo”) e com estilos que variam do trap ao boombap, e às vezes mesclando elementos das duas vertentes. A sequência das faixas deixa juntas muitas tracks com sonoridades parecidas, o que acaba intensificando a sensação de unidimensionalidade conforme o álbum vai rolando, mas os beats individualmente não deixam a desejar. Meu destaque vai pras produções da “Ku$h” e da “Joias e Armas”.

Ao analisar o disco como um todo, dá pra perceber que faltou dinamismo pra variar as temáticas e originalidade pra sair dos clichês quando se rima sobre mulher e coisas relacionadas ao crime. Alguns feats até funcionaram bem (principalmente os Reis do Nada na primeira de suas duas aparições no disco, quebrando no refrão), mas outros deixaram a desejar, principalmente os maluco doido da Cone. É inegável que o álbum tem um apelo mainstream, e isso não é demérito, mas o Cacife bateu na mesma tecla do que já vem sendo feito há alguns anos (inclusive por eles mesmos) e não ousou em trazer coisas excepcionais, contentando-se em ficar na média. E é isso mes amis, fiquem ligados nos nossos textos porque nois tá sem medo igual discurso do Chris Rock no Oscar. Até!

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