Classic Review Nacional: “Vivaz” por Filipe Ret

VVZClassicFala aí, seus papel higiênico folha simples rasga cu! A falta de trabalhos nacionais relevantes na cena tá deixando eu e o resto da equipe sem opções, na vagabundagem mermo. Um dos resultados disso foi um papo doido que eu bati com o cacique Vinar sobre álbuns dos últimos anos que já podem ser considerados como clássicos, pela influência e inovação deixadas na cena. Nois chegamos a dois nomes: ele vai postar a review dele sobre o DESCUBRA no fim do mês, e eu vou dissertar sobre esse disco que é o suprassumo da melodia, das frases de efeito, dos quiasmos e das rodas canábicas. É sério, por mais que tu não goste da personalidade do Ret, ou mesmo dos UOOOOOOOU que ele solta esporadicamente, há de se reconhecer que o 1º CD que ele pôs na pista foi revolucionário. Dá uma pausa no XVideos aí e acompanha o raciocínio.

Desde o projeto Numa Margem Distante, o nemá do TTK já mostrava que era diferenciado ao mic: conseguia imprimir uma variedade de levadas cantadas mesmo nos instrumentais boombap, além de ter uns esquemas de rimas nada usuais, e o auge dessas características foi demonstrado no Vivaz, porquê nesse disco ele conseguiu variar bastante as temáticas abordadas (diferente da porra do Revel, que ele rima sobre um único tema e com um único flow no disco todo e cês ainda votaram como nº 1 de 2015). Outro ponto característico no Filipe é o abuso de figuras de linguagem (GOSTAMOS): o cara sabe muito bem usar aforismos (aquelas frases de efeito que as novinha põe nas legenda) e mesclá-los com linhas que enaltecem o seu ego, além de um uso constante de inversão da ordem das frases (muita gente até critica esse lance, eu vejo como algo muito natural e que favorece os esquemas de rima durante o Vivaz). Outro ponto fortíssimo durante o álbum são os refrões no ponto correto, que conseguiram deixar as tracks do cara bem ouvíveis ao público mais mainstream e certamente foram responsáveis pelo boom de popularidade que o rapper carioca sofreu. Mas nem só de hook chiclete vive o T-Ré; pra exemplificar algumas das habilidades líricas citadas nesse parágrafo vou por um trecho da “D.U.T.U.M.O.B”, faixa que está entre as minhas preferidas e uma das que ele mais vai a fundo liricamente:

Debochado, cínico, à milhão
Sem padrinho… rá… sem patrocínio
Louco: esse o rótulo que eles me dão
Quando não conseguem mais acompanhar meu raciocínio
Ficam violentos quando sentem raiva
Eu penso melhor quando sinto raiva
Essa é minha doença, meu monólogo
Pra quem não sabe a diferença entre psicólogo e psiquiatra
Sou início, fim, meio
Vício, sim, o apanhador no campo de centeio

A produção simplesmente sensacional também tem grande culpa no status conquistado por esse disco. Encabeçada por nomes como Daniel Shadow, Ramonzin, e principalmente Mãolee, a criação dos instrumentais foi inspirada em sua maioria numa atmosfera boombap, que ao mesmo tempo é suave e vendável, mas com toques bem gangsta e se utilizando bastante de elementos da cultura blaxploitation, notados especialmente nos samples de Minnie Riperton na “Neurótico de Guerra”, do James Brown na já citada “D.U.T.U.M.O.B” e também na “Estilo Livre” e do Barry White na “Nova Sorte” (que inclusive usa o mesmo sample da “Castelo Triste” do Facção). Há mais beats fora de série, como o pesadíssimo boombap da “Libertários Não Morrem” e o trap da “Réus”. Na verdade, a única base que fica aquém das demais é a da faixa “A Ronda”, que é assinada pelo Nocivão da massa, que também larga um feat. Bem, pelo menos essa ele não vendeu pra mais de um MC né.

Ce já deve ter reparado que eu to escrevendo pra cacete pra defender a legitimidade desse post. Muita gente vai falar que o Vivaz não merece o título de clássico do rap nacional, mas a maioria dessas pessoas usa argumentos contra a pessoa do Ret e não contra o disco propriamente dito. O cara realmente é bem polêmico tanto nas letras quanto fora delas, e isso gera uma atitude muito “hate it or love it” por causa do público de rap. Pudera, o galego me chega falando coisas como “direita burra e esquerda retrógrada” (CONCORDO) e “o fato foi que o diabo inventou o rap”, o mínimo que se espera disso é gente que vai discordar e contestar as ideias expostas, ainda mais com uma parte do público que ainda é fadada a julgar como bom apenas a música que exalta sua ideologia política e pessoal. O fato é que essa mudança em termos de conteúdo que o álbum promoveu deu uma guinada na mente da galera sobre o que mais pode ser dito numa letra de rap (na minha opinião, tudo, desde que quem tá com o mic seja talentoso e rime em um beat no mínimo decente) e gerou vários estudos sobre o real significado do pensamento retiano (inclusive, recomendo um texto pica que alguns parceiros largaram lá no Genius sobre as referências do Ret ao tinhoso). Esses argumentos expostos consolidam o Vivaz, pelo menos pra mim, como um dos instant classics da nossa cena. Caso alguém discorde do que foi dito nessa postagem, sinta-se à vontade pra chamar nois na sessão de comentários, que a gente não censura ninguém, nem fã de Túlio Dek. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog porque vem aí mais texto tipo esse, polêmico igual a final de 98. Até!

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