Classic Review Nacional: “Volume X” por Inumanos

inumanos_divFala, seus vida de Pablo! Eu, como morador do estado do Rio, dedico esse post à pessoas que falam que faltam liricistas expressivos no RapRJ. Nessa semana de Classic Reviews, nada mais justo que trazer pra pauta um dos álbuns mais geniais e esquecidos da cena nacional. Único disco dos Inumanos, duo formado pelo Aori e o DJ Babão, o “Volume X” seguiu um conceito nunca antes explorado na história do país e continua vanguardista até hoje. Pra entender melhor esse lance, fecha a aba do Redtube e presta atenção no texto.

A “metade rimadora” dos Inumanos é o best friend do blog Anworianaga, conhecido nas rodas de pagode como Aori. Agora me diz, um cara que tem um nome loco desse não pode ser mais outro MC normal né? Além das temáticas originais pra caralho, que mesclam a cultura dos quadrinhos com o cotidiano carioca, o rapper demonstrou ao longo desse projeto alguns dos versos mais técnicos já vistos por essas bandas. Quando pouca gente se preocupava com métrica e esquemas de rima, o cara veio cuspindo rimas multissilábicas e internas sem filtro nenhum (GOSTAMOS), além de deixar sua herança das HQs clara no que se refere aos flows: tem hora que ele descreve cena e personagem, tem hora que ele quebra a parede e fala com o ouvinte usando um spoken word picão, e tudo isso com uns trocadilhos e wordplays do caralho. “Polegar Opositor”, “Monstros L.A.P.A.” e “Cena Surreal” são faixas que exemplificam bem as skills citadas, mas a magnum opus lírica do Anaga é a track “Brutal Crew”. Aqui vai um trechinho dela:

Dobro línguas feito ataque epiléptico
Aniquilo MCs sem nenhum censo estético
Se aqui num é Disneylândia, por quê seu estilo é patético?
Rimas como elas são sem auxílio de cosméticos
Te dão mais asas do que qualquer energético

Nos instrumentais está presente a assinatura do DJ Babão, que também demonstra toda sua habilidade nos scratches e colagens. Os beats tem uma pegada daqueles boombaps inspirados em filmes e séries, imortalizados por nomes como o papai DOOM e o RZA. Isso não quer dizer que as bases pequem em originalidade: as músicas têm toda uma brasilidade em decorrência não só dos samples utilizados, como também dos flows que o Aori consegue impor. A diversidade sonora também é grande: rola um piano hipnótico em “Encontro às Escuras”, uns trompetes locos de super-herói em “Carta Bomba”, assim como a influência do samba em “De Volta Ao Cais” e de uma forma mais notória em “Pra Mim Chega”, e o mais interessante é que essa mescla rola sem que a proposta musical se perca.

Conceitualmente, “Volume X” é uma das paradas mais ousadas que já saiu pras ruas. É bem maneiro ver que o álbum abriu margem pra que outros rappers enxergassem que com técnica e criatividade, podiam rimar sobre n temas (quem fala sobre isso citando nitidamente a influência do Aori é o Funkero, na bela entrevista que concedeu aos parças da ODB). Pra felicidade da minha pessoa e de muitos outros fãs dos Inumanos, o Anaga já anunciou que a sequência tá próxima de vir (veeem por favor, nunca te pedimos nada Aori, tirando aqueles 4 pares de tênis), então só nos resta aguardar por mais um disco foda. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog porque aí outros textos mais certeiros que a pontaria peniana do Mr. Catra. Até!

 

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