Classic Review Nacional: “Babylon By Gus, Vol. 1 – O Ano do Macaco” por Black Alien

bbgReviewFala, seus cheirador de Halls Preta! Menino Hussein aqui bem decepcionado com a cena no início do ano, ninguém tá soltando porra nenhuma praticamente (o CD do Faroeste será revisado pelo cacique Vinar por motivos de ele quis). Pra dar prosseguimento nos textos do site eu resolvi fazer mais uma resenha de um álbum clássico, e o de hoje não é só classico: pra mim esse é o melhor disco de todo rap nacional, e consolidou o Gustavo de Nikiti, que já destruía no Planet Hemp, no topo da minha listinha pessoal de MCs brazucas. São 12 faixas mas FODA-SE, vou fazer faixa a faixa mesmo porque gosto pra carai dessas músicas. Bora!

A intro já começa picuda. O Gus inicia os trabalhos mesclando rimas em inglês e em português e se apresentando como “Mister Niterói”, que seria uma alcunha meio heróica. Eu não entendia essa porra quando era menor, mas ouvidas constantes ao CD me fizeram perceber que ao longo das faixas ele vai fundo nesse conceito de tentar salvar o mundo com suas letras (vou falar disso mais pra frente). Enfim, rimas pesadas, um instrumental meio oriental lindão e o ouvinte já começa brisando nas ideia.

A faixa seguinte: “Caminhos do Destino”, é daquelas que pediu pra ser foda e fez eco. O Basa (produtor da maioria dos beats do BBG1) sampleou lindamente a Nina Simone e o resultado foi uma base genial. Isso sem falar no Gustavo prestando homenagens a idolos, e também a seus amigos falecidos Chico Science e Sabota (tá fraco de amizade, hem Black?!), além de mandar um recado pros famosos duas caras. Sonzão clássico.

A 3ª track é a faixa-título do álbum, e é outra gigantesca. Agora rimando sobre um sample de uma sinfonia a qual eu não sei o nome (quem souber joga no WhoSampled e no Genius e avisa nois) o BA reflete sobre diversas coisas da “Babilônia” nos dois primeiros versos, e ainda manda um storytelling picudo no terceiro. Destaque também pro refrão antológico.

Babylon by Gus
O fogo da vela me dá luz
Com a caneta e o papel, erradico pus
A caneta e o papel, e irradio luz  (“Babylon By Gus”)

“U-Informe” é o nome da quarta faixa, e simboliza uma brincadeira que o Gus faz entre as palavras “uniforme” e “informe”. São tecidas nela duras críticas à polícia e ao Estado, e de uma forma inteligente e bem original, sem reprodução de discurso batido, o que me faz gostar pra cacete da track. A virada que o beat dá no meio dos versos é outro ponto sensacional, sem comentários.

“Como Eu Te Quero” é a 5ª track do BBG1, e talvez a mais conhecida do público mais mainstream. Isso não quer dizer que a track deve tecnicamente às outras: aqui, o Gustavo dá aula de como se fazer uma love song que pega, que dá até pra tocar na rádio e sem largar a lírica fodona de costume. O instrumental é bem aconchegante, e conta com um synth e um violão que transmitem muito bem um clima suavão e romântico.

A 6ª faixa é uma das mais subestimadas do CD, e uma das que eu mais curto. A começar pelo nome, “Umaextrapunkprumextrafunk” é bem revolucionária. Em um beatzão bem black music cheio de suíngue, o BA faz comentários indecentes sobre a situação social brasileira (continua a mesma merda praticamente, ce ouve a track e parece que ela foi gravada ontem), como também à indústria fonográfica. Três versos de porrada na mente, acaba a música o sujeito precisa até de um tempo pra refletir.

“Estilo do Gueto” é a sétima track, e faz jus ao nome. O sample de violino (quem souber esse avisa também, mó vontade de conhecer a original) somado a drums pesados de boombap complementam o tom sério que tem a letra. Nesse som, parece que o Gus tá dialogando com alguém mais rico, que desconhece a realidade das periferias do país. Papo retíssimo passado nessa aqui.

A faixa de número 8 contém um dos beats mais locos dos disco. Em uma pegada bem ragga, “Primeiro de Dezembro” faz uma reflexão ampla sobre o crime, tanto aqueles cometido pelos pobres quanto os realizados por quem tem grana. O Gustavo baixa um santo jamaicano no refrão, e os flows demonstrados nos versos também têm uma influência bem caribenha.

A nona faixa continua nessa pegada jamaicana, e é uma das mais condecoradas do álbum, com absoluta razão. “Na Segunda Vinda” mostra os devaneios do Mista Black sobre como a fé e a espiritualidade são tratadas na era contemporânea. Com influências de Raul a Aleister Crowley, essa é outra daquelas que ce ouve e depois para meia horinha pra pensar no mundo, enquanto tá de boca aberta com a habilidade lírica do Gustavo. Puta que pariu, que faixa!

A track de número 10 dá uma quebrada no gelo, aliás ela é bem caliente. Com uma produção bem inspirada na música latina (assinada pelo Leo Casa1 dessa vez), o Gustavo versa praticamente num reggaeton sobre um episódio com uma mulher num desses verões da vida. Musicão pra descontrair, e rolam boatos que as minas adoram essa track em especial pra esquentar o clima. E o refrão é um dos mais fodas já cantados em toda a história desse Brasil varonil.

Lembra daquele papo do Black Alien super-herói? Ele retorna com toda força na 11ª faixa, a “América 21”. Em cima de um sample maneiro e de uma bassline linda que dão um clima bem sério, o Gustavo enfatiza sua missão, que é de salvar o mundo dos homens maus com o grande poder de sua caneta. Talvez essa seja a track que mais dê pra perceber as diferenças entre a época em que vivemos e o mundo de 12 anos atrás, porque nela o BA nomeia os “vilões” que assombravam aqueles dias. Mas parando pra pensar mesmo, a gente vê que só mudaram os nomes, a forma como a coisa funciona continua a mesma.

A faixa de encerramento fecha o CD com chave de ouro. Na “From Hell do Céu”, o Gus abusa de uma lírica sinistra em todos os versos, recheando-os de rimas internas e levadas envolventes, e sem deixar a mensagem de lado. Mais uma vez ele reflete sobre a situação social com metáforas fodas, e termina a track num daqueles versos spoken word boladões que ele faz, ao melhor estilo “Orientai-Me” e “Um Bom Lugar” (deu renegade no Sabota simplesmente falando verdades na música, CITANDO EBOLA EM 2001, com todo o respeito ao Mauro). Faixa anacrônica pra fechar um CD de mesmo caráter.

Me parece agora que eles perderam o controle
Nessa corrida de ratos sei muito bem quem tá na pole
Se agride ou agrada
O seu lugar no grid de largada não muda nada (“From Hell do Céu”)

Num apanhado geral, é lindo ver como as letras escritas há 12 anos atrás se mantêm mais atuais que nunca, como os flows e os esquemas de rima não foram ultrapassados, e como a sonoridade ainda continua bem envolvente. Tem gente que chama esse disco de Illmatic brasileiro, e eu particularmente discordo, porque acho ele melhor que o Illmatic. Esses são os meus pensamentos sobre a bíblia do rap nacional. E é isso mes amis, não fechem a aba do blog porque aí vem mais texto tão indecente como Multishow depois da meia-noite. Até!

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5 comentários sobre “Classic Review Nacional: “Babylon By Gus, Vol. 1 – O Ano do Macaco” por Black Alien

  1. salve.. pqp esse disco é pica.. pode emoldurar e põe na parede que é classic sh!t

    segue aí o sample da BBG: J-S BACH Concertos pour 4 clavecins BWV 1065

    a outra o pai não sabe.. fica pra próxima.

    Curtido por 2 pessoas

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