Review Nacional: “Goldensgoto” por ZRM

goldensgotoreviewFala aí, seus assinante de revista Capricho! Menino Hussein dessa vez resenhando um dos últimos trabalhos nacionais que saíram nessa década de 2015, e confesso que tive uma ótima surpresa. Não conhecia muito os paulistas do ZRM, e fiquei bem impressionado ao ouvir esse álbum de estreia deles (eles já tinham um EP na rua, mas eu nem era tão ligado). Antes de começar a resenhar, já afirmo que se o disco saísse um pouco antes, eles eram figurinha cativa na nossa votação do Fezes de Ouro que tá rolando. Enfim, tenho muita coisa pra falar do Goldensgoto, então vamo parar de enrolar. 

O grupo é formado pelos MCs Febem e Flip, além do DJ Sleet, e dá pra garantir que os três brilharam em suas performances. Os dois rappers demonstraram não só muita técnica e versatilidade, tanto nos flows, métricas e temas abordados, mas também uma escrita cheia de sarcasmo e desprendimento com o average rapper que nós vemos ai. Eles têm umas linhas com um humor ácido, bem sujo mesmo, e não se censuram sobre tema algum, tornando as letras bem interessantes. As habilidades individuais de cada um também são facilmente notáveis: o Flip é bastante versátil em esquemas de rimas, e tem talento pra lançar um flow mais cantado aqui e ali (também mandou bem nos refrões, como no da “Acima do Chão”), enquanto o Febem tem um flow bem influenciado pelo trap e umas punchlines sinistras. Eu citei o DJ no mesmo parágrafo dos rappers porque, além de ele mandar benzão nos scratches, ele acaba fazendo também o papel de um 3º MC: ao longo do disco rolam várias colagens, que interagem com as linhas dos rappers. Dá pra perceber isso nitidamente na track “A Peste”.

A produção tá simplesmente de parabéns. Mesmo com a grande influência da “golden era”, nítida até mesmo no nome do disco, não há nada de unidimensional nos instrumentais, muito pelo contrário. Alguns beats dão umas viradas locas, e rola até alguns traps sujíssimos. A influência do trap e do grime é nítida mesmo quando a base segue uma linha mais tradicional: do nada surge um 808, uma bateria diferente, e sem perder a proposta original da música, interessante pra carai. Como ouvi o álbum pelo Spotify, não sei ao certo quem produziu qual track; mas vi uma entrevista dos caras onde eles disseram que nomes como SPVIC e Jaybeats, entre outros, assinaram instrumentais. Dá pra afirmar que todos os beatmakers envolvidos mandaram bem pra carai, desde o cara que destravou o funk e a música black na “Cadillac Dinossauros”, até o que produziu a relaxante “Largando Rhymes”.

O álbum é bastante coeso, as músicas são fiéis à proposta geral, e os feats agregaram bastante: os membros do Haikaiss, os nossos parças do Nectar (que track amigos, puta que pariu, quando o beat começa a virar pro trap o sujeito goza), o fera Jamés Ventura e o rei dos memes Doncesão, pra citar alguns, cumpriram muito bem sua função e nos presentearam com participações de alto nível. Uma parada que eu percebi e não sei se foi proposital foi a organização das tracks: a 1ª metade do CD contém as faixas mais densas e caóticas, e o disco vai se suavizando conforme o final vai chegando. Com certeza o “Goldensgoto” vai ficar no meu repeat por um bom tempo, e entra na minha listinha de fim de ano (nóis vai soltar semana que vem, perde não). E é isso meu bonde, não fechem a aba do blog que vamo soltar mais fogo ao melhor estilo Charizard. Até!

Nota4,5

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