Review Nacional: “Se7e 2” por Ber

BereviewFala aí, seus espírito do mal cão de buceta e saia! Menino Hussein aqui pra resenhar sobre mais um release nacional. Dessa vez, o foco é na 2ª parte do disco do Ber, voltada inteiramente ao trap. Goste do cara ou não, esse ano ele soube muito bem alavancar a própria imagem e de seu grupo Cartel, e popularizou algumas expressões que tão populares entre quem se interessa pelo rap nacional e seus envolvidos. Vou fazer uma review faixa a faixa por motivos de: tô afim, então coloque sua Jontex porque vai ser foda!

A primeira faixa, “Drogas e Tapus” é bem satisfatória. O beat, apesar de não ser muito elaborado, tem um loop de synth viciante. O Ber chega trazendo bons versos, e os feats casam bem. Bril e Febem também soltam participações maneiras, mas o highlight da track é o feat do Don Cesão.

A track 2, de nome “Narcótico Porno” (sim hahahahaha), foi uma das que eu mais curti. Num trap funk bem original, o Bernardo versa sobre o tema que ele domina: putaria. Nessa aqui ele veio bem desinibido, com flows maneiros e linhas interessantes. A participação do Junkie Joe no refrão também é maneiríssima, esse muleque tem futuro no ramo.

A 3ª faixa, “Prenda-me Se For Capaz”, não brilhou tanto como as duas que abriram o álbum. O beat segue a linha do loop de synth, sem variar muito. O verso do Ber, apesar das várias referências cinematográficas, foi bem mediano. O feat dos muleques do Spliff Rap também não encantou tanto; e o único ponto forte da track foi o refrão da Marya Bravo.

A proposta da faixa 4 é muito boa, e eu senti que se ela fosse melhor trabalhada tinha tudo pra ser um sonzão. Em mais um feat do Junkie Joe, ele e o Ber arriscaram um autotune, e não saíram tão mal. O instrumental é mais calmo que os anteriores, e o uso dos synths me lembrou até a primeira parte do beat de “Maria I’m Drunk”, embora o casamento deles, como também os kicks nas variações (especialmente do refrão) tenham ficado um pouco confusos.

A 5ª track, “Michael Myers”, já havia sido lançada. O beat dela é interessante porque rola uma variada de bpm na parte final. Outros pontos fortes são o refrão viciante e o verso matador do menino BK (que tá concorrendo na nossa premiação FDO graças à esse feat). A outra participação ficou por parte do Predella, que até mandou um flow maneiro, mas deixou o nexo em casa quando escreveu o verso.

A faixa 6, “Rio California Dreams”, que também já tava na rua, pode ser considerada o ápice do trabalho, em todos os sentidos. O Ber chega nela variando a vera nos flows, e o Junkie Joe chega novamente benzão no refrão. As referências ao beatmaker gringo Sango, pioneiro na mescla de funk com trap vão desde o beat (um dos melhores do álbum, hipnotizante) até as linhas do Bernardo. Meus parabéns aos envolvidos.

A faixa 7 é outra que tem potencial pra estourar. Com o mantra da “Vida Avançada”, que começou com a galera do Nectar e foi popularizado pelo próprio Ber, aqui rola um braggadocio sobre o lifestyle do Ber: rodeado de drogas, mulheres e loucuras no Rio. O beat não é tão elaborado, apenas um synth e o 808 se pronunciando, mas atende bem ao objetivo de “bater pesado”. Falando nisso, destaque pro feat da lenda carioca King Mack, que tava sumido mas não mais, e simplesmente chegou cuspindo a verdade crua num verso bem pessoal.

A oitava track é mais uma que já tava solta. “Xeque-Mate” tem como ponto forte seu refrão que gruda na cabeça. O beat segue a linha dos anteriores: synth, bass e kick pesando, com a diferença de uma paradinha no meio do verso que permite uma troca de flow maneira. A participação do Correria na faixa foi bem mediana, nada que prendesse muito a atenção do ouvinte,

“Paranoia” é o nome da nona faixa, e ela traz uma proposta interessante. Sem refrão e menos comercial, ela narra a mente caótica do Ber em uma de suas noites loucas. O beat conta com um elemento surpresa que é a adição de um choir (coral, tipo umas vozes de ópera) da metade pro fim. A intenção foi até interessante mas acho que poderia ser melhor trabalhado: um reverb mais potente já daria uma sonoridade especial a esse elemento.

A faixa 10, “Kurt Cobain”, é outra das que estavam soltas. Uma das melhores tracks do disco, o beat persiste bem trap mas com uma pegada diferente dos demais: dá pra perceber que o capricho nele foi maior. Versando sobre ele, o Ber solta várias frases de efeito, se comparando dessa vez a um rockstar. Faixa bem interessante, comercial e inteligente ao mesmo tempo, e com algumas pérolas.

“Mina da Rave” é o nome da faixa 11. O nome é autoexplicativo, e nela temos um compilado de coisas que já haviam sido apresentadas em tracks anteriores: Ber autotunado, loop de funk em alguns momentos, beat mais chill. É uma track bem mediana, assim como o feat da Banca 021: os muleques mandam bem no vocal, mas nada que salte muito os olhos.

A 12ª faixa, denominada “PMW” (abreviação de pussy, money, weed, popularizada por Lil Wayne e A$AP Rocky), e conta com mais um feat da Banca 021. O destaque vai pro beat (também produzido por eles), que surpreende mesclando trap e rock, algo nada usual mas que me agradou bastante. Os versos, tanto do anfitrião da faixa como dos convidados, estão bem na média.

Pra finalizar, a última faixa é um remix de um clássico do funk carioca: “Deitados Na Areia”, do Márcio G, ganhou uma roupagem trap e mais contemporânea. Ber chegou com aquele porn rap que já estamos acostumados, nada de novo. A homenagem ao pancadão das antigas foi uma bela maneira de fechar o disco.

Num apanhado geral, o disco tem um forte apelo comercial, mas peca pela repetição, tanto na maioria dos instrumentais, que poderiam ser melhor trabalhados (pelo que se conhece do Sydens e do Nox, os beatmakers com a maioria das produções no álbum, havia talento e capacidade pra elaborar bem mais as bases); e também em relação aos assuntos abordados: nada contra rimar sobre sexo, drogas e tirar onda (eu particularmente gosto de ouvir músicas sobre), mas pareceu que durante as treze faixas o Ber não se preocupou em falar de outra coisa. A escrita apresentada não sofreu avanços em relação aos projetos anteriores, e dentro das faixas até há variação nos flows, mas eles vão se repetindo conforme as músicas vão passando. Lembrando que a nota desse post vale só pra 2ª parte do álbum, a da 1ª já foi postada, aí ces soma e divide por 2 (matemática intensifies). E é isso, mes amis, não fechem nossa aba do blog porque aí vem mais texto quente. Até!

Nota3

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2 comentários sobre “Review Nacional: “Se7e 2” por Ber

  1. Massa. .. firme a proposta de expor a opinião sem babação. .. ainda mais que os sites de rap nacional nao existe essa liberdade… e sim um receio…Não conhecia o site e gostei bastante… pioneiros… Parabéns. . Daqui a pouco vão surgir mais sites críticos do rap.. Pode botar fé

    Parabéns

    Curtido por 2 pessoas

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