Classic Review: “Illmatic” por Nas

Illmatic_Nas

Fala aí, seus fã de cine band privê! Voltando pras classics revieeews, e dessa vez, um clássico que eu queria fazer há um tempo já, e é óbvio o porque. “Illmatic” é um daqueles atemporais, e super relacionável tipo de álbum. 21 anos depois do seu lançamento, o álbum continua sendo super atual, e isso independe de onde o ouvinte tá, mesmo ele não se relacionando com as letras, ainda pode entender e experimentar, mesmo que indiretamente, o que é relatado no som. Então, bora pra revisão. 

O chute inicial do álbum é “The Genesis” um diálogo entre Nas, AZ e Jungle (Irmão mais novo de Nasir), nessa conversa eles falam de muitas coisas que viriam a ser abordadas durante o álbum, ganhar dinheiro com rap, crime, drogas… E isso nos a leva a primeira faixa, de fato, que é nada mais nada menos do que uma das faixas mais impactantes da história do rap, “NY State of Mind”, e pra descrevê-la, vou usar um trecho do DTB! Especial do DJ Premier, S/O SVNTIzinho:

Ouvindo essa música no busão eu fecho o olho e me imagino vendendo droga em uma esquina de Nova York com um jaco de couro e um boné do Yankees.

“NY State of Mind” é Nas relatando tudo que o cercava: Assassinato, tráfico, puta, ambição descontrolada, medo e tudo isso era fazia mentalidade dos jovens negros no subúrbio de NY, mais especificamente, no caso de Nas, no Queens, até por isso, a clássicas linha…

I think of crime when I’m in a New York state of mind

Uma (Só uma das várias) das coisas mais picas da track, sem dúvida alguma, é a imagery do Nas, ou seja, a habilidade de criar cenas na cabeça do ouvinte, principalmente no primeiro verso, onde ele inicia uma narrativa de um tiroteio, sem deixar claro contra quem, mas é isso… O melhor jeito de se começar um álbum.

King poetic. Too much flavor, I’m major
Atlanta ain’t Brave-r,
I’ll pull a number like a pager
Cause I’m an ace when I face the bass
40-side is the place that is giving me grace (“Halftime”)

Dando sequência (e que sequência, meu papai do céu), tem a tão influente quanto “Life’s A Bitch”, vamo lá, quantas vezes cê já ouvi referência desse som? Isso só reforça a significância do Illmatic no gênero. A track em si é uma reflexão sobre a vida que os MC’s levavam, a track tem o único verso de feature do álbum, e que verso! AZ, amigo pessoal de Nas, droppa um dos versos mais picas do jogo no belo beat de L.E.S. e pra muitos, mata o God’s Son na sua própria merda (Agravante: Foi o primeiro som que AZ rimou em cima. Damn, AZ. Chill, bruh).

Visualizing the realism of life in actuality
Fuck who’s the baddest, a person’s status depends on salary
And my mentality is money-orientated
 (“Life’s a Bitch”)

Seguindo temos os dois singles do álbum, “World Is Yours” e “Halftime”. A primeira é uma track sobre motivação, como o próprio rapper disse: “O mundo tá aí, é só se levantar e correr atrás” (No vídeo abaixo, em 3:21), o beat criado por Pete Rock, meio que dialoga com o refrão, é muito pica, além de Nas inspirados nas linhas assim como é no projeto todo. Enquanto que a segunda, como o nome sugere, marca a metade do álbum e não tem um conceito, é só o Nasty Nas cuspindo B.A.R.R.A.S. no beat do Large Professor, sério.

“Memory Lane (Sittin’ On Da Park)” é mais uma track de reflexão, mas dessa vez puxa mais pras lembranças de Nas sobre as ruas do Queens, o crime, gangbangin, drug dealin’, etc… O beat é um dos meus favoritos do álbum, é bem chill, bem suave, principalmente pela melodia do sample… Adivinha quem produziu? Isso mesmo, Preemo. E eis que vem outro highlight do projeto, “One Love”, que é uma carta em forma de track pra um parça do Nas que tá na cadeia, a ideia em si já é muito pica, aliada a uma lírica fodidamente afiada, e um beat louco então…

What up kid? I know shit is rough doing your bid
When the cops came you should have slid to my crib
Fuck it, black, no time for looking back it’s done
Plus congratulations, you know you got a son
I heard he looks like ya, why don’t your lady write ya?
 (“One Love”)

“One Time 4 Your Mind” traz um conceito maneiro, no primeiro verso Nas tem uma mentalidade mais juvenil, de um jovem meio irresponsável, já no segundo um cara mais experiente tanto na rima quanto no crime. O que nos leva a “Represent”, uma da melhores no quesito habilidade, Nasir simplesmente destrói nessa track, B.A.R.R.A.S.

E finalizando, “It Ain’t Hard to Tell” que é outra das que eu mais gosto, beat matador do Large Professor (Mais um), e várias linhas picas, só pra variar, né ? Além disso, ela gerou uma das expressões mais conhecidas do Nas, a “half-man, half-amazing”.

O álbum pinta a imagem de NY segundo a mente de um jovem morador dos projetos residenciais de Queensbridge que tem que lidar com os crimes que o cercavam na sua vizinhança. Nas tinha 19 quando escreveu Illmatic (Mesma idade de quem vos fala) e é muito louco ver a percepção, a mentalidade, e a habilidade lírica dele tão jovem,  as suas letras eram bem poéticas, e isso colaborou pra tornar o rap uma forma de arte mais respeitada entre os fãs de outro gênero. Illmatic é um marco. PEAAAAACE, FDP!

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Um comentário sobre “Classic Review: “Illmatic” por Nas

  1. Pensei que só eu me amarrava nesses “insights” que o Nas dá no meio do som do nada e faz tu imaginar a cena. The Message exemplifica bem o que eu to falando…

    Curtido por 2 pessoas

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