Talking Merda #01 – Rodrigo Ogi

OgiTalkingMerda01

Salve, seus cu! Hoje estreia o segmento de entrevistas “Talking Merda”, e logo de cara, a gente traz ninguém mais, ninguém menos que o Bi Cinco Shits, Rodrigo Ogi. A gente perguntou sobre “RÁ!”, sobre o seu debute “Crônicas da Cidade Cinza”, gostos pessoais, e uma monte de outras coisas.

Tá curioso, né ?! Clica aí então, pô. RÁÁÁÁ! 

01 – Oi, né ?

Ogi: Salve, seus bunda suja!

02 – Primeiramente, Ogi, muito obrigado por conceder essa entrevista e a primeira coisa que gostaríamos de saber é se houve algum tipo de pressão em criar o sucessor do álbum “Crônicas da Cidade Cinza”,  que muitos consideram clássico (Inclusive é um álbum cinco shits)? Se sim, como você lidou com ela? Inclusive, acho que em um dos interlúdios pode ilustrar isso, quando você diz:

Antes era uma tentativa, uma iniciativa, tipo se der certo vão me aplaudir, se der errado vão me apedrejar

Ogi: Eu me cobro demais por natureza. Sou um cara chato quando tô escrevendo. Acho que tá bom, mas cem por cento, nunca. Na maioria das vezes acho ruim, mexo na rima ou descarto e isso faz o meu processo de criação ser mais lento. Do lançamento do Crônicas até o começo de 2013 eu escrevia e achava tudo uma merda, assim eu ficava pra baixo achando que a inspiração tinha sumido de vez e passava um tempo sem canetar.
Depois fui me condicionando a escrever um pouco todo dia,  mesmo que num fosse usar nada do que tivesse escrito e isso começou a facilitar a minha criação.
Eu não crio muita expectativa em cima de um disco. Eu preciso que ele me agrade ao ponto de poder lançar. Eu entendi que daí pra frente num é mais comigo, a música tá no mundo e não é mais só minha. Tem gente que vai gostar ou não.

 

03 – Sabendo que seu 1º CD é bastante aclamado pelo público e crítica, e o 2º tá a caminho disso, como você acha que já é modelo de inspiração pros rappers mais novos? Qual é o teu sentimento em relação a ser “ídolo”? 

Ogi: “Crônicas da Cidade Cinza” foi bastante elogiado, mas não chegou em tantas pessoas assim. Acho que ele é um álbum que ainda tem lenha pra queimar. É um bom trabalho.
É muito bom conversar com alguém através da musica. É como fazer amigos sem conhece-los pessoalmente. É como se eu jogasse uma carta numa garrafa no mar e um naúfrago se apoiasse nela pra chegar até a praia.

04 – Algumas das várias histórias que cê abrange nas tracks são bem profundas e deixam o leitor meio perplexo, como no Crônicas tínhamos “Corrida de Ratos”, “Porque Meu Deus?”, e em “RÁ!”, uma que me chamou bastante a atenção foi a “Escalada” que narra a história de um “zé ninguém” que ascende na vida por meios ilícitos. Como essas narrativas chegam até você? Parte de alguma experiência de alguém próximo, ou experiências próprias? De onde vem essa inspiração de criar essas narrativas? Explica pra gente como funciona o seu processo criativo para o desenvolvimento dessas histórias. 

Ogi: É como eu disse. Desde pequeno sempre tive facilidade pra escrever histórias. Sou muito observador, detalhista e gosto de deixar a imaginação fluir. O que eu narro são coisas que já vi, ou vivi misturado com ficção. Posso estar em um bar, ouvir uma conversa e dali formar uma história.

 

05 – Nas três faixas que compõe “Trindade”, há algo muito interessante que é a transição entre perspectivas de diferentes personagens assim que há algum tipo de toque entre eles no enredo. Sabendo que você é um grande fã de história em quadrinhos, a ideia dessa faixa veio da personagem Vampira dos X-Men (Personagem que ao tocar em outro mutante absorvia seus poderes) ou em qualquer outro personagem de HQ? Se não, como veio a ideia da faixa?

Ogi: Escrevi um roteiro pra essa música e depois fui transformando em rima. Na época eu tava lendo muito HQ e vendo Game of Thrones. Não pensei na Vampira. Eu queria fazer uma música com variações psicológicas, variações de sensações e tentei passar isso. É uma alusão à liberdade também.

06 – Em faixas como “7 Cordas” e “Ponto Final” a influência do samba é grande. Além do rap, o que mais você curte ouvir, tanto pra curtir o momento como pra pegar inspiração?

Ogi: Ouço muito samba antigo, música brega, soul e funk.

07 – Durante o “RÁ!”, a gente nota referências de Wu Tang Clan, Jeru the Damaja, Slick Rick, esse inclusive segue uma linha bem parecida com a sua, focando em storytelling, etc, e sabendo que a sua paixão pelo hip hop nasceu na adolescência, quais rappers que fizeram você se apaixonar pelo gênero e decidir escrever suas próprias rimas? E quais da considerada “new school” você ouve ? (Vale tanto nacional quanto internacional)

Ogi: No Brasil foi o Racionais. Lá de fora foram vários: B.I.G., Mos Def, KRS One, Casual, Del the Funky Homosapien, House of Pain. A lista é gigante.  O Espião do Rua de Baixo teve grande influência no meu trabalho tambem.
Dessa nova safra tenho ouvido muito o disco novo do Kirk Knight (Late Knight Special). Gosto do Joey Bada$$, do Kendrick… Aqui do Brasil tenho gostado do Haikaiss, do ZRM, Primeiramente, Eloy Polêmico, Motim, Sem Modos. Tem muita coisa interessante. 

08 – Como é construir um álbum inteiro com o NAVE, um dos beatmakers mais tarimbados da cena? Alguns “easter eggs” nas faixas deram a entender que o clima tava bastante descontraído, isso procede?

Ogi: Conheço o Nave desde 2002, na época ele tava engatinhando nos beats e eu aprendendo a rimar. A gente é amigo. Amigo de ficar em casa mesmo. Tenho muita afinidade com o pessoal de Curitiba. O Nave conhece e tem o gosto bem parecido com o meu em relação à Rap. Ele captou rapidinho o que eu queria. Fluiu bonito. Eu, ele e o Maleronka ficávamos horas discutindo sobre música. Foi um processo demorado, mas muito bacana.

 

09 – A gente tá tendo um ano de grandes lançamentos, Emicida lançou “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, Black Alien lançou a sequência de Babylon By Gus. Como você vê hoje o cenário do rap nacional?

Ogi: O Rap tá caminhando cada vez melhor. Falta muito, mas tá avançando legal.

10 – Recentemente vários artistas do rap tão aparecendo nos grandes meios de comunicação, como canais abertos de TV. Pra você, isso fortalece ainda mais o gênero? Você tem pretensão de atingir essa mídia mais popular? 

Ogi: Se me convidarem e for interessante pro meu trabalho eu iria.

11 – Desculpa a pergunta, mas qual a sua música favorita do RÁ! e porquê ? 

Ogi: Não tenho uma só. Gosto de várias.

12 – Pra finalizar a entrevista, meu caro Ogi, vamos fazer uma “brincadeira” que a gente bolou pra ser trademark das nossas futuras entrevistas, a “Descarga”. Vamos lhe dar duas opções e você escolhe entre uma delas, conforme sua preferência:

  • MILF (Tipo Letícia Spiller) ou Teen? MILF
  • HAHAHA ou HIHIHI? RÁ, RÁ, RÁ!
  • Mano Brown ou Sabotage? Brown
  • Biggie ou Tupac? B.I.G.
  • Trap ou Boom Bap? Boom Bap
  • Messi ou Cristiano Ronaldo? Messi
  • Kl Jay ou DJ Hum? Respeito muito o Dj Hum, mas o Kl Jay é um cara que além de técnico é muito sábio. Sempre que encontro com ele saio com boas lições de vida.
  • Ryu ou Ken? Ken
  • Marvel ou DC? Vertigo

Bem, galera. Esse foi nosso papo com o Ogi. Mestre Ogi, de novo, muito obrigado por disponibilizar tempo pra essa entrevista, foi uma grande honra ter você como primeiro convidado, toda a equipe é muito sua fã, pode ficar a vontade pra voltar em uma outra ocasião. É isso, galera! Espero que tenham gostado, e muitas outras virão por aí! PEAACE!

Facebook do Ogi: http://www.facebook.com/RodrigoOgi
Twitter do Ogi: @Rodrigo_Ogi
Ouça "RÁ!" AQUI.
Compre "RÁ!": http://smarturl.it/rodrigoogira
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