Classic Review: “The College Dropout” por Kanye West

the-college-dropoutOi, porra.

Antes de começar essa review, preciso que vocês entrem no clima do bagui. Apaga todas luzes da casa, tranca a porta do quarto, acende um incenso de mirra francesa, pega uns lanches, fica bem confortável e leia atentamente.

Eu e o Vinar viajamos pra um de nossos escritórios, localizado na Itália, só pra ver como estavam as coisas por lá e tratar de alguns negócios com investidores europeus. Paramos para jantar no Alberto Ciarla, no centro de Roma, quando como sempre, acabamos caindo no assunto da próxima pauta do blog. Depois de um tempo discutindo e algumas doses de whisky The Macallan 1926, decidimos que o contemplado será o clássico: The College Dropout.

Esse trampo é considerado por muitos (principalmente por mim hehe) o melhor disco do Kanye West e um dos melhores debuts dos últimos anos. Na época, Kanye era apenas um produtor, assinado com a Roc-A-Fella e um dos responsáveis pelo sucesso do também clássico, The Blueprint do Jay-Z.

Muitas pessoas me perguntam o por que eu gosto tanto desse cara. Eu confesso que ultimamente tava difícil “defender” o Kanye. Ele é um cara bem controverso, e gente com esse tipo de personalidade, tende a criar muitos inimigos e acredito que o maior inimigo dele é a mídia. Eu, particularmente, quando gosto da música de um cara, deixo pra lá sua vida pessoal, não me interessa o que ele faz, o que ele pensa, com quem ele anda, não ligo se ele é casado com uma, digamos, mulher da vida. A música é boa, a proposta do artista é diferente dos demais, ele é um cara inovador, que procura sempre evoluir, sair da mesmice, isso eu acho foda e respeito. O Kanye West com todos seus discos lançados até hoje, influenciou tudo que veio depois dele (principalmente com o 808 & Heartbreak) e isso é inegável, mas esse assunto eu vou deixar pra outro post. Mas o que tem de tão especial nesse disco ?

Começando pela produção, que foi inteiramente produzida pelo Kanye West. Enquanto o J. Dilla fazia as produções parecerem “impossíveis”, o Ye fazia parecer “simples”. Caracterizada pelos samples de Soul music “chipmunkizados” (acabei de inventar essa palavra), a produção é sólida e sempre foi um dos pontos fortes do Mr.West, que é um cara muito perfeccionista. Ele, que costumava vender seus beats, agora estava rimando neles, é como se um traficante começasse a se entupir de sua própria droga.

O conteúdo lírico do Kanye West foi o que mais me impressionou. Cheio de linhas quentes, engraçadas e também, mostrou seu lado introspectivo, falando de riqueza mas também falando que riqueza não é tudo isso, prezando a felicidade, família, amigos etc.

Mesmo 11 anos atras, ele sempre teve personalidade forte e em suas letras ja esbanjava seu egoísmo e seu narcisismo:

I went to the malls and I balled too hard
“Oh my god, is that a black card?”
I turned around and replied, “Why, yes
But I prefer the term African American Express”

I’m Kan, the Louis Vuitton Don
Bought my mom a purse, now she Louis Vuitton Mom

O disco é CHEIO de linhas como essas, inteligentes e engraçadas e isso muito me agrada, mas como eu disse ali em cima, o disco traz também o lado introspectivo do Kanye e isso é bem representado nas tracks “All Falls Down” e “Through The Wire”.

It seems we living the American dream
But the people highest up got the lowest self-esteem

The prettiest people do the ugliest things
For the road to riches and diamond rings
We shine because they hate us, floss cause they degrade us
We trying to buy back our 40 acres
And for that paper, look how low we a stoop
Even if you in a Benz, you still a nigga in a coupe

A “Through the Wire” é minha música preferida do disco, ele conta sobre o acidente de carro, ocorrido no dia 23 de outubro, que viria a mudar completamente sua vida. Nesse acidente ele fraturou o maxilar, que inclusive foi escrita e gravada enquanto ele estava no hospital. Foi aqui que começou tudo, ou melhor, um recomeço para o Kanye West e um recomeço para o rap. Determinou a paixão do West pela música e pela vida.

O disco contém participações de seus amigos, caras que costumavam contatá-lo por beats, e agora era hora de retribuir os “favores”. Nomes como Common, Talib Kweli, Ludacris, Consequence e claro, Jay-Z. O Jigga é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do Yeezy, foi tipo um pai, uma grande influência que mais tarde virou amizade (e que rendeu muitos hits ao longo dos anos).

O Yeezy cansou de ficar apenas no estúdio. A ambição dele foi essencial, pois ele sabia mais que qualquer um que tinha capacidade para estar entre os melhores rappers. A recepção do público para esse disco foi excelente, mesmo não tendo interesse dos seus próprios chefes, já que o Dame tinha assinado com ele apenas para produzir, fazendo com que o Kanye West investisse seu dinheiro nos singles e para promover o disco. Não tinha como o sucesso ser evitado e com os singles “Slow Jamz”, “All Falls Down” e “Jesus Walks” trouxe a atenção do mundo para o muleque buchechudo de mochila nas costas.

O disco veio pras ruas no dia 10 de fevereiro de 2004, e manteve o Kanye West nas rádios pelo resto do ano. Com pouco mais de 3 milhões de cópias vendidas, rendeu 10 indicações para o grammy e venceu em 3 (Melhor Album de Rap, Melhor música com “Jesus Walks” e Colaboração com “Slow Jamz”). Pra mim, o The College Dropout marca uma revolução no rap, deu voz para uma nova geração, quebra estereótipos de um rapper e desde então, o Yeezy vem ditando moda na forma de fazer arte.

Mesmo 11 anos depois, o The College Dropout continua sendo um dos discos mais importantes do rap e influência para muitos artistas da nova geração. Ta no meu top 10 melhores trabalhos do Kanynho, sem dúvidas, nunca saiu da minha playlist e não irá sair por um bom tempo, Thank You Mr. West!!!!

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