Classic Review Nacional: “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia” por Racionais Mc’s

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AAAAAAAAAAAH, FINALMENTE ! AS CLASSIC REVIEWS ! Já queria ter feito há muito tempo uma análise de clássico, mas tiveram muitos lançamentos, e nessa segunda abriu uma brecha e aqui estou eu, e como cê já leu aí em cima, decidi falar de “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia” dos Racionais, e uma das principais razões foi eu ter comprado uma versão física que fez eu me apaixonar mais ainda esse fodendo álbum. Sem mais enrolação, vamos à REVIEW.

Como vocês devem saber, esse álbum é um álbum duplo, o nome do primeiro é “Chora Agora” e o segundo, “Ri Depois”, e as músicas que compões cada metade fazem jus ao nome dos respectivos cd. Chora Agora tem duas faixas intro, a “Sou + Você”, e “Vivão e Vivendo” as duas introduções são sobre auto estima, motivação, principalmente a “Sou + Você” que é mais um skitzinho, onde Brown se passa por um locutor e convida o ouvinte a levantar, se reerguer pra mais um dia, e a “Vivão e Vivendo”, ô KL Jay… Que vibe, cara ! HAHAHA Beat louca, vibe louca.

Vamo acordar, vamo acordar, porque o sol não espera
Demorô
Vamo acordar, o tempo não cansa

Ontem a noite você pediu, você pediu….
Uma oportunidade, mais uma chance
Como Deus é bom, né não nego??

Olha aí, mais um dia todo seu
Que céu azul loko, hein?
Vamo acordar, vamo acorda
r. (“Sou + Você”)

Aí, tá lá tu ouvindo todo feliz e vem o skit de “Vida Loka I’, é aí que começa o momento mais sombrio, mais tenso do álbum… Com “Vida Loka I”, que é uma conversa de Brown e um amigo seu que tá preso (Abraão), onde Brown ESBANJA o poder de Storytellin’ (Mais uma vez) a mais um beat PESADO do mestre KL Jay. Na sequência, “Negro Drama” o hino do rap nacional, nem preciso falar muito, mas vou ressaltar, QUE VERSOS ! Que BEAT, cara ! Uma faixa incrível que aborda as dificuldades da comunidade negra, e vivências pessoais de cada MC, vou deixar uma apresentação ao vivo da faixa aí embaixo, só notem a reação da plateia. Preciso falar mais algo ? Não, né ?! “A Vítima” vem a seguir, uma faixa solo de Edi Rock, onde ele fala de um acidente em que ele se envolveu, e como a mídia caiu matando em cima dele, e é simplesmente INCRÍVEL o jeito com que ele descreve as sensações, ele realmente consegue te transportar pra pele dele, fazer cê saber como ele tava se sentindo… E tem a parte que ele tá no metrô, nessa parte eu sempre me imagino na cena, vendo a tiazinha crente, o maluco estudando, e a mina bonita lá, é fantástico o poder de Storytellin’ desse grupo.

“E é o seguinte né, a vida tem que continuar, tá ligado…” são as últimas palavras de Rock em “A Vítima” e serve também de introdução pra faixa seguinte, “Na Fé Firmão” que é uma faixa mais “descontraída” que a anterior, apesar de ter mensagens e denúncias dentro dela, como de costume, o próprio instrumental ajuda nisso, o refrão, e por aí vai. O skit “12 de Outubro”, é super inteligente e de novo, encaixa muito bem no conceito do álbum,  é um skit do Brown falando de um conversa com uma criança, e Brown pergunta sobre a relação do moleque com a mãe dele, e a resposta do molequinho faz ele pensar em como o sistema cria um ciclo pra afetar a sua comunidade.

Aí eu fiquei pensando, né mano
Como uma coisa gera a outra
Isso gera um ódio
O moleque com 10 ano, pô
Tomar um tapa na cara
No dia das criança (“12 de Outubro”)

 “Eu Sou 157”, pelo menos pra mim, demonstra o que pode acontecer com as crianças da periferia expostas ao tipo de tratamento que tem no skit anterior a faixa, sem falar (MAIS UMA VEZ) na modo de contar as histórias na faixa, na qual o Brown encarna bem o personagem e dá vida a música. “A Vida é Desafio” e “1 por Amor, 2 por Dinheiro” são as faixas finais da primeira metade, e elas resumem perfeitamente o que eles quiseram passar no “Chora Agora”, que eram todos os desafios, dificuldades pessoais (As pessoais, mais na segunda até por ser mais direcionada à cena), assim como da periferia.

IMG-20150428-WA0000O Ri Depois também tem duas espécies de intro, “De Volta a Cena” e “Otus 500”, a primeira tem um verso bem foda em conjunto, e a segunda já tende mais pra um desabafo do Edi Rock, sobre o país, falando de como depois de 500 o Brasil tá uma vergonha. “Crime Vai, Crime Vem” e “Jesus Chorou”, são as faixas que ainda tem um clima da primeira metade, falando da introdução das drogas na comunidade e o que isso gerou na visão dos Mc’s e uma faixa SUPER pessoal do Brown, talvez uma das mais introspectiva, Brown tá no meio de uma conversa com “seu lado direito”, a sua consciência, produção,  mais uma vez, excepcional do mestre KL Jay, com seu ouvido abençoado pra samples. 

Cristo que morreu por milhões
Mas só andou com apenas doze e um fraquejou

Periferia: corpos vazios e sem ética
Lotam os pagodes rumo à cadeira elétrica
Eu sei, você sabe o que é frustração
Máquina de fazer vilão
 (“Jesus Chorou”)

Depois do hilário skit “Fone”, vem a track “Estilo Cachorro”, mais uma faixa clássica, onde tratam das mulheres, é uma faixa mais descontraída, num tom mais de brincadeira e tal. Diferente da parte um, a “Vida Loka II” é menos tensa, Brown fala dos seus sonhos, das esperanças, Brown até relaciona com Dimas, o ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus, citando ele como o primeiro Vida Loka da história, porque assim como Brown deixou o passado obscuro pra trás. Sobre a produção, cara… Ah, o sample picking desse cara

Não importa, dinheiro é puta e abre as portas
Dos castelos de areia que quiser

Preto e dinheiro são palavras rivais
É, então mostra pra esses cu como é que faz

“Só quem é de lá, sabe o que acontece” o sample define bem a faixa “Expresso da Meia Noite”, uma track bem introspectiva do Rock, onde ele versa sobre o que vê na sua quebrada enquanto dá “um rolê de parati filmada”. Chegando ao final desse puta álbum, temos “Trutas e Quebradas” que é um Shout-out de mais de seis minutos (HAHAHA), e “Da Ponte Pra Cá” pra fechar numa pegada super descontraída, uma faixa que trata dos “boys” que querem se enturmar, mas da ponte pra cá é diferente, uma produção bem up-lifting pra fechar bem essa obra prima.

Pro grupo, lançar esse álbum logo depois de “Sobrevivendo no Inferno”, foi pra se firmar logo de vez como um dos maiores grupos da história na cena, pra mim o maior. VÁRIOS hinos do nacional em apenas um álbum, produção perfeita (Se ainda não leu, dá uma lida no DTB! Especial KL Jay, pesado post do SVNTI), as letras sempre trazendo algo de bom pra público, uma mensagem necessária, que tem é relacionável pro público, por essas várias outras razões, “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia” É UM CERTIFIED CLASSIC, bro. E tu, cara ?! Que cê acha desse álbum ? Comenta aí embaixo, vamo trocar uma ideia. PEAAAAAAAAAAAACE. 

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4 comentários sobre “Classic Review Nacional: “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia” por Racionais Mc’s

  1. Duas coisas:

    1- A produção do VIDALOKA 1 é de ManoBrown e não de KLJAy

    2 – Era pra ter falado sobre a interpretação das duas personagens do som Jesus chorou por Mano Brown que foi algo novo no rap nacional… essa interpretação foi algo muito novo no rap nacional na epoca

    muito bom o texto man… acompanho todos e sempre que da faço um comentário pra fortalecer… valeu

    Curtido por 1 pessoa

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