Review: “Cherry Bomb” por Tyler, the Creator

tyler-the-creator-cherry-bombSalve parças, LAHuss in the building! Nesse feriado, eis me aqui novamente, e devido ao alto número de releases gringos, falarei sobre mais um álbum yankee que vem sendo bastante comentado por aí. A pauta será o recém-lançado Cherry Bomb, do polêmico e inovador Tyler, the Creator, uma das caras mais conhecidas da cena alternativa do rap, apesar da pouca idade.

A faixa “FUCKING YOUNG/PERFECT“, previamente lançada, me deixou num hype fodido pra esse álbum. Confesso que prefiro o soft side do Tyler, das produções melódicas (não que eu não curta algumas hardcore dele), e essa track atendeu bem ao meu gosto, além de contar com uma letra interessante e uma proposta mais legal ainda, puxando pra um R&B. Enfim, ao ouvir o álbum, me surpreendi tanto positivamente como negativamente (como assim Huss? Ta maluco?).

No quesito “rapper”, o Tyler não teve muito progresso em relação aos álbuns anteriores. Os temas e a maneira com a qual ele os aborda são bem criativos, mas em questão de lírica e flow não espere algo que vá te surpreender drasticamente. Como conhecedor dos trabalhos anteriores dele, porém, entendo que a proposta dele é trazer uma atmosfera bem pessoal às tracks, e isso se reflete na introspecção das letras. Ainda assim, ele se supera em alguns momentos, como nessa pérola encontrada em “SMUCKERS” (seu highlight lírico no disco):

“Put that fuckin’ cow on my level, cause I’m raisin’ the stakes
Mom I made you a promise, it’s no more section 8
When we ate its the steaks, now our section is great
Cause that’s the level I’m at, my niggas pass em a plate”

Nas produções, que sempre foi a parte que mais me atraiu à música do Tyler, dá pra filtrar momentos ótimos e notar alguns ruins. “BUFFALO” me soou algo bem desorganizado, enquanto as propostas de “RUN” e “CHERRY BOMB” de homenagear os californianos do Death Grips com distorções vocais saíram pela culatra: tais tracks agradariam bem mais sem esses efeitos. Por outro lado, o tributo (mesmo que implícito) feito ao Pharrell em sua época de N.E.R.D. foi um tiro certo, e faixas como “BLOW MY LOAD” e “2SEATER“, que estão dentro dessa temática são pontos fortes no trabalho. Destaque também pra “track 9” (que tem um nome caralhudamente grande), que mescla bem o estilo do Tyler de produzir com o som clássico da West Coast.

A temática do disco, que é algo a sempre ser observado nos trabalhos do TC, é boa na teoria, mas se perde um pouco na prática. É trabalhada a dicotomia entre ser um rapstar vendido (nessa mesma faixa 9 e também na “KEEP DA O’S“, por exemplo) ou ser um artista verdadeiro, mesmo sem ser reconhecido (conceito que começa na “FIND YOUR WINGS” e vai se repetindo ao decorrer do álbum). A história, no entanto, parece ter sido esquecida no processo de execução das ideias do disco, e isso é notável por algumas track que simplesmente não se encaixam nessa temática. O fato do álbum ser “metade concept album” não desce bem à garganta.

No mais, posso falar da ótima escolha dos feats (que vão de Ye e Weezy na “SMUCKERS“, onde tanto eles quanto o Tyler destroem), passando pelo Schoolboy Q na faixa 9 e da cantora de R&B Kali Uchis, que acrescenta sua bela voz em várias tracks. O álbum é bem daqueles “ame ou odeie”, mas incrivelmente me deixou no meio termo. Falta em alguns aspectos e sobra em outros, mas o Tyler é um dos artistas que faz um trabalho assim como ninguém. E é isso, fiquem ligados porque nessa semana rola mais review minha. Até!

Nota3,5

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