Review: “To Pimp A Butterfly” por Kendrick Lamar

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YESSIR ! Vinar de volta, vamos falar do álbum mais aguardado do ano (Pra mim, pelo menos) ! KENDRICK LAMAR (A.K.A. Compton’s Human Sacrifice) volta a lançar um álbum depois do INCRÍVEL “good kid, m.A.A.d city”, mas antes de começar a revisão, tenho três pronunciamentos:

  • A review vai ser LONGA, não se revisa um álbum dessa complexidade em pouco espaço;
  • Não vou me alongar muito falando das faixas que já fiz Single Review, vou deixar o link pra assim ter mais espaço para comentar as inéditas.
  • É só MINHA opinião ! Que fique bem claro isso, você não precisa concordar. OK ?

ENTÃO, vamos começar ! O álbum começa com “Wesley’s Theory” que tem a produção do my nigga FLYING LOTUS, na faixa Kendrick rima sobre a relação dos negros com o dinheiro, e como o sistema arruma um jeito de prejudicá-los, por meio da falta da educação, o modo perfeito de começar o álbum, atenção pro sample de “Every Nigger Is A Star” no começo e pelo feature do George Clinton que caiu perfeitamente na faixa. Logo após, temos o primeiro interlúdio, o hilário “For Free?”, onde a América, no geral é retratada com uma mulher que tenta abaixar a auto-estima do K.Dot, assim como de todos os negros no país, mas ao mesmo tempo espera que ele faça montes de dinheiro com sua arte e o verso do Kendrick vem justamente pra responder que “his dick ain’t free“, ou seja, que ele não pode ser comprado tão facilmente, e tecnicamente o flow, assim como toda técnica de escrita nesse verso está no ponto… Interessante atentar pra produção jazzy do Terrance Martin também.

When the four corners of this cocoon collide You’ll slip through the cracks hoping that you’ll survive Gather your wind, take a deep look inside Are you really who they idolize? To pimp a butterfly (Wesley’s Theory)

“King Kunta” encaixou muito melhor no álbum (Single Review aqui) e logo após o término da faixa, Kendrick manda uma linha de um poema, e isso vai se repetindo pelo álbum, Kendrick vai adicionando linhas que introduzem o ouvinte a faixa seguinte, no caso aqui a próxima faixa é a fantástica “Institutionalized”, uma das minhas favoritas, onde K.Dot usa o termo “institutionalized” pra descrever a ideia de violência que se passa no gueto, gerada pela obsessão de se tornar rico, e como as pessoas estão presas à isso. No segundo verso da faixa, o rapper incorpora um amigo de Compton que ele levou ao “BET Awards“, que ao voltar pra sua cidade, vai em busca de vida das celebridades que conheceu na premiação, mas usando da violência; detalhe pro refrão do Bilal que é excepcional, um dos melhores do álbum e pra smooth beat criada por Rahki.

Fuck am I s’posed to do when I’m lookin’ at walkin’ licks? The constant big money talk about mansions and foreign whips The private jets and passports, presidential glass floor Gold bottles, gold models, sniffin’ up the ass for Instagram flicks, suck a dick, fuck is this? (“Institutionalized”)

Seguindo, nós temos “These Walls”, com uma produção incrívelmente funky, que vibe incrível que essa música tem e K.Dot traz um flow irado, além de ser uma das faixas com mensagem mais complexa, no álbum todo. Aqui vem uma das sacadas mais fodas pra mim no álbum inteiro, a faixa “u” que contrasta com a auto estima, alegria e amor próprio de “i”, que ganhou uma versão ao vivo no álbum. “u” trata da depressão e dos fantasmas do rapper o assombrando, e deixa o ouvinte pra baixo… E é aí que entra “Alright”, outra favorita minha e da equipe do blog (Shoutout to my niggas)… Produzida pelo Pharrell que também abençoa o refrão que diz que tudo vai dar certo, em contraste com a faixa anterior, o flow do Kendrick na faixa é simplesmente INCRÍVEL e o saxofone do Terrance Martin na faixa, assim como no resto do álbum, dá um coesão entre faixas tão distintas.

Alls my life I has to fight, nigga Alls my life I… Hard times like, “God!” Bad trips like, “Yea!” Nazareth, I’m fucked up Homie you fucked up But if God got us Then we gon’ be alright. (“Alright”)

Depois do “For Sale? (Interlude)”, onde Kendrick demonstra como o mal (Caracterizado por Lucy, no álbum… Lucy tipo Lucífer, sacou ?) tenta persuadi-lo, vem a parte do álbum a qual K.Dot volta pra suas casas (Sim, no plural) em busca de respostas: Nas faixa “Momma”, e “Hood Politics”, onde na primeira o rapper volta para a “Momma Africa” retratada num garoto que tem uma conversa com Kendrick, e na segunda “Hood Politics”, Kendrick versa sobre como o gueto vê o cenário do rap, além de outros tópicos, inclusive gostei bastante da punchline sobre o Killer Mike, Kendrick… Só disse verdades !

Everybody want to talk about who this and who that Who the realest and who wack, or who white or who black Critics want to mention that they miss when hip hop was rappin’ Motherfucker if you did, then Killer Mike’d be platinum (“Hood Politics”)

“How Much A Dollar Cost” tem versos excepcionais, onde Kendrick mostra todo seu poder de storytelling, versando sobre a conversa que teve com um mendigo que posteriormente se mostrou ser Deus e deu a resposta para a pergunta de quanto vale um dólar… Você pode achar a produção pouco cativante na faixa, mas sinto que isso foi planejado para o ouvinte prestar atenção na mensagem que K.Dot passa. “Complexion (A Zulu Love)” foi a faixa que menos me chamou atenção, mas não quer dizer que seja ruim… Kendrick trata da questão do racismo, e chama Rapsody pra mandar o único verso de um feature no álbum todo, esperava mais do verso dela, sinceramente, sei que ela é muito boa. Após “The Blacker The Berry” (Single Review aqui) vem “You Ain’t Gotta Lie (Momma Said)” onde Kendrick vem com mais uma poderosa mensagem pro ouvinte, sobre não precisar mentir para ter respeito. Como já comentei “i” lá em cima, vou pular para “Mortal Man” que traz uma supresa fantástica… Além da música, com mais uma bela mensagem… Uma conversa entre Kendrick e Tupac, isso mesmo ! Kendrick sampleou uma entrevista do Tupac e fez uma espécie de conversa entre eles, além do final do poema que Kendrick vinha montando entre o álbum, o final perfeito ! No geral, esse projeto é mais uma joia do Kendrick que sempre vem com um álbum pesado. Talvez você estranhe a sonoridade do álbum, mas dê outra chance ao álbum, não fique só na primeira impressão. Comparando com GKMC, eu não coloco “TPAB” nem acima e nem abaixo… E vamos ter calma ao falar que é um clássico, só o tempo nos dirá.

Nota5

É ISSO !    Se liga, mudamos a arte das notas. Elas foram criadas pelo Lucas, que é designer e meu amigo. Se tiverem interessados em logomarcas, ou outras coisas do tipo falem com ele lá no Facebook !

PEAACE E ATÉ A PRÓXIMA REVIEW !

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2 comentários sobre “Review: “To Pimp A Butterfly” por Kendrick Lamar

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